27.2.07

as tais injustiças da história do cinema

Coisa bem chata essa obsessão de muita gente com um Oscar para o Scorsese. Eu gosto dele como diretor, apesar de apreciar muito mais um Clint Eastwood ou um Roman Polanski. Bom, são apenas preferências. O que me irrita mesmo é querer dar pra ele um Oscar a todo o custo.
Digo a todo custo porque uma premiação como o Oscar– no meu humilde e ignorante confesso entendimento – não serve para dizer que o concorrente é bom ou ruim para a história do cinema. Ela apenas julga produções em um determinado espaço de tempo e avalia qual o melhor – pelo menos, teoricamente.
O fato de diretores como Hitchcock não terem vencido jamais não é uma injustiça sem tamanho, uma tragédia, um escândalo. Acontece apenas que existem outros fatores. Azar, se concorrer com um filme superior, é uma grande resposta pras tais "vergonhas" da academia cinematográfica. Também entra ali marketing, sucesso de bilheteria, carinhas famosas.
Concordo que Scorsese merecia um Oscar. Mas rezar a toda premiação para que isso acontecesse, resmungando contra as "injustiças" da história da estatueta e desmerecendo outras películas me cheira a choro de perdedor. Foi um pouco do que ocorreu em Menina de Ouro. No meu ver, o Oscar foi para o destino certo, as mãos do velho Dirty Harry. O filme da garçonete me marcou muito mais do que O Aviador. E não tem nada a ver com dramalhão. É só o estilo de contar mesmo, que fez da história de uma garçonete uma obra-prima de delicadeza ímpar. Que mostra a fugacidade do instante.
Tanto que ninguém realmente está precupado em avaliar se Infiltrados foi merecedor do grande prêmio. Scorsese ganhou. E basta. Considero um grande filme e costumo ser chatíssima pra filmes policiais – acho a maioria deles idiotas, barulhentos e maniqueístas. A conquista, aí sim, ganha sua legitimidade quando confrontada com os outros candidatos.
Babel quer dar liçãozinha de moral, mostrando que as pessoas se entendem menos, apesar de haver mais meios de se comunicar. Grande novidade. Pra sair do comum, precisava ser brilhante. E não foi (salvo as cenas da japonesa, sensibilíssimas). Pequena Miss Sunshine é simpático, divertido, belos momentos. Mas não chega a ser uma coisa do outro mundo. A Rainha é tecnicamente perfeito – inclusive o roteiro, magistral. Mas a produção, toda, me soou fria demais. E, por fim, Cartas de Iwo Jima é um bom filme de guerra, especialmente pelas explosões. Mas, nem de longe, reflete o melhor de Eastwood.
Se fosse pelo simples remorso, pela tentativa de remediar o passado, seria cretina a escolha. Diplomática, e nada pode ser pior do que uma decisão política. Mas, nesse caso, acho que a escolha dos jurados foi justa. E premiar Scorsese foi matar dois coelhos com uma mesma cajada.Espero que, um dia, a mesma sorte tenha Jonnhy Depp, que nem um Globo de Outo arrematou até hoje, apesar de quase dez indicações e grandes performances.

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