Mostrando postagens com marcador nostalgia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nostalgia. Mostrar todas as postagens

23.6.17

Bloomsday

Sexta-feira foi dia de Bloomsday ao redor do mundo, quando se celebra a jornada de Leopold Bloom, personagem famosão de Ulysses de James Joyce.

A Casa das Rosas em São Paulo fez um m evento com palestras, música e dança irlandesa (e Guinness, mas por 32 reais não tem condições). Claro que eu estava lá. Foi o trigésimo evento do tipo em São Paulo. Voltei pra casa com tanta coisa na cabeça e no coração que precisei despejar umas linhas. Joguei no Facebook, mas quis reproduzir por aqui também.

"De um Bloomsday, na Casa da Rosas, com James Joyce, Irish dance, Irish music e vários filmes passando na minha cabeça e no meu coração, saio direto pra uma caminhada na Paulista, tentando lidar com um monte de sentimentos. E ali na famosa avenida então eu vejo um cara vestido de punk tipo anos 70, um senhor vestido de Chaves, um menino vestido de Michael Jackson, várias pessoas indo ou vindo de uma festa junina, um maluco tocando AC/DC, hippies vendendo muamba e todo mundo já naquela vibe Parada Gay.
Aí me dei conta que nunca saí de São Paulo quando fui pra Dublin e que nunca saí de Dublin, mesmo tendo voltado pra São Paulo. E voltar se torna um verbo quase inútil porque como assim voltar de um lugar se a gente nunca saiu dele. E de qual "eu" me refiro mesmo, quando vamos mudando a cada pessoa, paisagem ou experiência que aparece.

Só queria mesmo um trem-bala que me transportasse entre essas duas cidades em um piscar de olhos pra eu comer coxinha numa padoca de esquina e, cinco minutos depois, tomar Guinness e olhar pro Liffey River.

Da próxima vez que perguntarem, São Paulo ou Dublin, vou perguntar de volta se dá pra ser as duas, já que ambas grudaram em mim e, por mais que eu tente, parece que nunca vou me livrar."

23.3.16

We can't stop the world

Acho que o bom da tal "maturidade" é a capacidade de a gente desenvolver uma melhor relação com a gente mesmo. E isso inclui saber se perdoar, reconhecer nossas falhas, elogiar nossos pontos fortes e entender que, mesmo que as coisas deem errado, isso não representa o tão preconizado fim do mundo.

Eu comentei com uma amiga próxima em Dublin, meses antes de voltar, que sofria por antecipação por ter que me despedir de tantas pessoas legais que havia conhecido naquela jornada. Falei aquilo e me vieram algumas lágrimas porque a sensação, de fato, era dolorosa - e ainda é, para ser sincera, já que sinto saudades incessantes de gente que ficou do outro lado do oceano. Mas ela disse algo que, se não fez diminuir a dor, ao menos me fez pensar. E aceitar. "You can't stop the world".

Ela tinha razão, a gente não pode parar o mundo. Então a única coisa que dá pra fazer é seguir em frente. A gente escolhe o caminho, fica indeciso às vezes, mas precisa caminhar. Precisa agir. Não raro doi a incerteza e a dúvida, a gente se cobra e diz que é hora de acertar. Não é um processo fácil, mas hoje - quase um ano depois de ter voltado - eu entendo ainda mais o que ela disse.

A gente não pode parar o mundo. Então o único caminho é seguir tentando, batendo cabeça, se descobrindo, sofrendo, pensando, sorrindo a cada coisinha que faz sentido. Vivendo.


10.12.13

meus lugares

O difícil de deixar uma cidade grande como São Paulo é que tem tanto, mas tanto lugar para se despedir que a pessoa não consegue dar conta. Sei que o drama não faz sentido, afinal daqui a um tempo devo estar saltitando por aqui novamente. Mas por ora dá uma dorzinha pensar que, nos próximos meses (ou anos), só poderei passear na Paulista ou na Liberdade com a ajuda da minha imaginação.

16.12.12

momentos mágicos de gremismo

Foi ontem, mas mesmo assim não queria deixar passar. Esse último 15 de dezembro marcou 16 anos de um dos dias mais importantes da história do Grêmio e da minha também. Em 1996, o Grêmio era campeão brasileiro pela segunda vez em sua história – a primeira foi em 1981.

Era um domingo e passei o dia todo em casa com minha família, principalmente meu pai, que não se continha de nervosismo. Mas ele havia passado a semana inteira dizendo “vai dar”. Não tinha como não acreditar nele, mas mesmo assim a tensão era presente. O Grêmio precisava fazer 2 X 0 no Olímpico contra a Portuguesa para compensar os 2 X 0 em São Paulo e, com melhor classificação na primeira fase, ficava com o título. O Grêmio era um BAITA time, mas a Portuguesa tinha seus méritos e seus bons jogadores.

Decidimos que valia a pena gravar o jogo em fita K7, coisa que meu pai faz até hoje. Eu não queria ver o jogo na televisão (e continuo não gostando, tenho impressão que dá azar), então fiquei cuidando do rádio fora de casa, na nossa areazinha de serviço. E ele ficou lá dentro. Não tenho ideia de onde estavam os outros, só sabia de mim, dele e do jogo.

Quase morri de angústia. O gol do Paulo Nunes no início foi uma glória, mas ainda faltava UM. E um gol não é pouca coisa, ainda mais quando ele é NECESSÁRIO. O tempo passava e eu cada vez mais próxima do infarto, em plenos 12 anos.

Enfim veio o gol, com o contestado Aílton, quase no fim do jogo, aos 39 do segundo tempo. Só lembro do gol, de mais nada. Era tudo muito nervoso, muito confuso.  E ainda faltavam seis minutos no tempo regulamentar, fora os acréscimos. Minutos que pareciam horas, dias.

Depois de quase virar pelo avesso de tanta agonia, terminou. Grêmio bicampeão brasileiro. O primeiro título nacional do Brasileirão que eu podia comemorar.

Meu pai ensandecido, óbvio. Na hora ele catou a bandeira enorme do Grêmio e, como só tínhamos aquela, me deu um par de meias antigo e tricolor para eu agitar.E lá fomos nós para o centro de Farroupilha, point dos gremistas – na época era só do lado azul do estado mesmo (tempos lindos).

No caminho para o centro, uma das cenas mais nítidas da minha infância/pré-adolêscencia: um grupo de torcedores de algum dos bairros havia lotado um CAMINHÃO e saído enlouquecido pelas ruas. Nos viram com a bandeira, a pé, e foi aquele buzinaço, aquela euforia, aquele congraçamento em pleno fim de tarde.

Ficamos um tempo no centro, no meio da muvuca, e voltamos para casa depois de anoitecer. A última lembrança é a de eu recolher a bandeira que havíamos deixado em uma árvore, um chorão que ficava em frente à nossa casa. Meu dindo, na janela – colorado – perguntou, brincando, se eu ainda estava às voltas com a bandeira. E eu respondi “não é sempre, não sei quando vai acontecer de novo”.

Parecia uma profecia porque foi o último Brasileirão vencido pelo Grêmio. Tristezas à parte pelos anos sem título, difíceis para quem já nasceu com um título de Mundial, só tenho lembranças maravilhosas daquela jornada épica.

Dezesseis anos e um dia depois, só posso agradecer ao Grêmio e, principalmente, ao meu pai por me darem momentos tão únicos e mágicos na vida.

2.12.10

lembrancinhas...

Saudades do país, mas principalmente, da valentia de toda essa gente que aparece aí embaixo.

6.7.10

dos tempos do videocassete

Em homenagem ao único jogo de Copa que eu tenho, em VHS...

5.7.10

aqueles dias tão laranjas e alegres

Um tanto alheia às chatíssimas polêmicas desta Copa, o que me ocorrem são recordações de um tempo bem juvenil.
Copa de 1998, 14 anos, hormônios. Tardes livres para vagabundagem, onde eu ficava colada na TV esperando os jogos da Holanda. Como eu era fã daquela seleção! Daquela geração! Dennis Bergkamp, os De Boer, Kluivert, Overmars, Davids, Seedorf...
Foram meus maiores ídolos durante a adolescência, e eu nunca achei uma explicação plausível para tal fenômeno. Simplesmente eu achava todos bonitos, simpáticos, e a Holanda muito alegre, com uma história inacreditável de traumas e fracassos.
Todos os adultos me criticavam por gostar de outra seleção que não fosse a brasileira. Outros adultos, gremistas, lembravam que vários dos holandeses compuseram o Ajax de 1995, contra o Grêmio, em Tóquio. Mas nem isso foi suficiente par a diminuir meu encanto de guriazinha.
Doze anitchos se passaram, e eles nem são mais os do meu álbum. Ainda assim, saudades daquela época, onde a minha única preocupação, durante um mês, foi saber se a Holanda seria campeã daquela Copa. O título não veio, mas eu guardo a lembrança daqueles dias tão laranjas e alegres.

(Na foto Bergkamp, escolhido por mim o mais lindinho de todas as Copas. Crédito: Stu Forster/Allsport/Getty Images)

16.3.10

por que pessoas envelhecem e engordam?

Custava ficar assim para sempre? Hein??

3.9.09

retrô ou quase cult

Na semana passada me senti retrô ou quase cult. Na quinta-feira, fui até a Santa Ifigênia, rua de São Paulo famosa por aparelhos eletrônicos de todos os tipos e procedências, comprar fitas cassete para meu pai, viciado em gravar músicas e principalmente jogos e gols do Grêmio que ele ouve pelo radinho.

Verdade que meu pai não tem computador em casa, não sabe mexer na internet, isso certamente pesa no seu hábito. Mas ele gosta, percebo, de manusear as fitas, rebobinar, levar para lá e para cá, o antônimo da impessoalidade dos bytes. Nem todas as pessoas precisam ser fissuradas por tecnologia. Eu gosto de um saudosismo, não tem jeito, e deve ser por isso que sinto simpatia por essa mania dele.

Agora morando em uma cidade tão “moderna”, “vapt-vupt” como Sâo Paulo, talvez encaro até romanticamente o apego do meu pai a suas fitinhas, quase uma ode à simplicidade. É como se houvesse pelo menos uma pessoa, no mundo, feliz com o que tem nas mãos, sem aquela busca cansativa por algo que nem sabe o que é mas que imagina ser sempre melhor.

Divagações à parte, auxiliadas pela expectativa da minha viagem a Farroupilha amanhã, estou feliz por ainda ter encontrado algumas K7 para ele. E anuncio que nem me importo mais com as caras de espanto quando conto que há gente que segue fiel das ditas fitinhas.

22.7.09

o grenal do meu pai

Atrasada, eu sei, mas não poderia deixar de registrar minha homenagenzinha aos cem anos do Grenal. Minha admiração e adoração pelo clássico vem do meu pai, que nunca cansou de me contar histórias de façanhas do Grêmio e também de fracassos contra o rival. Pensando em alguma foto para ilustrar o post, só me veio essa, do André Catimba e de um dos maiores feitos do Tricolor, a vitória no Grenal de 77. Para o meu pai, que gravou o jogo em fita cassete, esse sim foi o Grenal do Século, e é a opinião que mais conta, sempre.

8.6.09

lembranças que dão saudades

Assisti semana passada a um documentário sobre os sem terrinhas feito pelo coletivo de Audiovisual do MST. É claro que um vídeo feito por uma entidade sempre é, digamos assim, institucional. Não que isso por si só seja ruim, até porque é uma forma de o movimento mostrar seus objetivos e sua realidade a partir do seu próprio de vista, e não por meio de outras pessoas que não estão envolvidos nesse dia-a-dia.

Enfim, não é meu objetivo pentelhá-los com visões e discussões políticas, exatamente por isso confesso ter imaginado o quanto seria interessante um documentário jornalístico sobre essas crianças. Não tenho informação de que algo tenha sido realizado nesse sentido até hoje, pelo menos nada que tenha tido repercussão considerável.

Sem querer fiquei pensando em personagens, entrevistas, tomadas, olhares que poderiam ser explorados, mesmo tendo consciência do meu talento limitadíssimo para tudo que envolve televisão, cinema e coisas afins.

Todo este monte de divagações me fez voltar uns três anos, quando fizemos a 3X4 para a cadeira de Redação IV do Ungaretti. Além de uma matéria mais geral sobre acampamentos e assentamentos, que eu, felizmente, dividi com a Jana Kalsing, teve ainda a reportagem sobre as crianças do MST.

Eu tinha, a essa altura, uma experiência até razoável de texto para quem ainda estava na faculdade, o que significa nada de grandioso ou ousado mas também nada impublicável. O que apertou foi o fato de não ter experiência nem habilidade (até hoje) para lidar com crianças, o que compromete razoavelmente o trabalho.

Bom, fui para o seja-lá-o-que-Deus-quiser, e o resultado foi a matéria mais legal que já escrevi, pelo menos na minha humilde opinião. Eu gosto de ler esse texto até hoje, gosto da maneira como coloquei as palavras e, principalmente, gosto de ter feito exatamente o que eu queria - o que cumpriu em grande parte o objetivo da cadeira, é uma das poucas da Fabico que possibilitava às pessoas serem um pouco felizes.

Ficou bem longe de ser uma obra-prima, mas acho que essa matéria, junto com a que fiz sobre os moradores de rua do centro de Porto Alegre, resumem muito do que eu era durante a universidade.

Não quero dizer com isso que hoje sou uma velha desanimada, desmotivada e que parou de acreditar na vida e no jornalismo. Mas eu era, de certa forma, tão inocente nessa época que tudo era curiosidade e justamente por isso tudo era descoberta, surpresa, encantou ou mesmo decepção.

Três anos depois disso, me considero muito mais madura, experiente e até mesmo esperta em todos esses assuntos e ainda sobre outros.

Toda essa sabedoria, porém, não me faz sentir mais jornalista. Faz me sentir mais adulta, talvez mais politizada, mas de forma alguma mais repórter. Acho que o que me incomodou em tudo isso foi justamente o fato de me considerar menos sensivel hoje e até menos criativa do que naquela época.

Bom, talvez esse seja um processo natural e inevitável o "endurecimento", mas quando a gente se dá conta se sente tão mal... às vezes dá vontade de jogar todo o "profissionalismo" fora para poder encarar o mundo de uma maneira bem mais sincera.

22.1.09

a ponte do arco-íris

Estava na última coluna da Danuza da Folha, acho que semana retrasada - confesso que talvez a única coluna de jornal que leio com certa regularidade. Nunca tive paciência para a forma como os textos opinativos são elaborados, cheios de "achismos" e "opiniões que tentam ser imparciais" mas que mais funcionam como editoriais.

Pois bem, o autor do texto abaixo é desconhecido, não importa. O fato é que o texto - podem me chamar de breguinha, não vou ficar com trauma - é muito bonitinho e me fez lembrar meu cachorrinho que morreu ano passado, com inacreditáveis 17 anos. Estou ainda devendo um post sobre a partida dele, mas vai chegar. - assim como mais postagens minhas e nao copiadas dos outros

A ponte do arco-íris
"Neste lado do paraíso existe um lugar chamado ponte do arco-íris. Quando um animal morre, aqueles que foram especialmente queridos por alguém, vai para a ponte do arco-íris. Lá existem campos e colinas para todos os nossos amigos especiais, pois assim eles podem correr e brincar juntos. Lá existe abundância de comida, água e raios de sol, e nossos amigos estão sempre aquecidos e confortáveis. Todos os animais que já ficaram doentes e velhinhos estão renovados e com saúde e vigor; aqueles que foram machucados e mutilados estão perfeitos e fortes novamente, exatamente como nós nos lembramos deles nos nossos sonhos, dos dias que já se foram.
Os animais estão felizes e alegres, exceto por uma coisinha: cada um deles sente saudades de alguém que foi deixado para trás. Todos eles correm e brincam juntos, mas chega um dia em que um deles para de repente e olha fixo na distância. Seus olhos brilhantes estão atentos; seu corpo fica impaciente e começa a tremer levemente. De repente, ele se separa do grupo, voando por sobre a grama verde, mais e mais rápido.

Você foi visto, e quando você e seu amigo especial finalmente se encontrarem, ficarão unidos num reencontro de alegria, para nunca mais se separarem. Os beijos de felicidade vão chover na sua face; suas mãos vão novamente acariciar a tão amada cabecinha, e você vai olhar mais uma vez dentro daqueles olhos cheios de confiança, que há muito tempo haviam partido da sua vida, mas que nunca haviam se ausentado do seu coração. Então vocês, juntos, cruzarão a ponte do arco-íris."

25.7.08

difícil, por vezes

Minha amiga Ana Luiza se forma hoje, na PUCRS, em Jornalismo. Se eu estivesse em Porto Alegre, seria presença certa. Essa formatura é um dos momentos que me faz ter saudades de casa. Como a liderança do Grêmio no campeonato que acompanho de tão longe. Semana que vem, é meu aniversário, e minha vó tinha esperanças de que eu fosse.
Apesar de estar adorando minha nova vida, paulistana, às vezes as coisas ficam meio borradas e tristes.

29.6.08

grenal


Hoje é domingo de Grenal, o que me faz sentir saudades inconsoláveis de casa. Domingo de Grenal no Rio Grande era dos meus dias favoritos. Não somente pela minha paixão pelo futebol e pela chance única de torcer pelo Grêmio e secar o Inter ao mesmo tempo. Esses sempre foram dias de ligar para o meu pai e contar como estava o clima em Porto Alegre, se tinha torcida na rua, se tinha movimento, se tinha muito brigadiano nas esquinas. Era um dia em que eu jamais deixava de entrar no msn, sempre a fim de encontrar um amigo colorado para tirar uma onda - na paz, porque Grenal para mim sempre foi um dia feliz. Não sei como alguém transformar o melhor dia dos gaúchos em violência, tragédia, morte. É um dia para todo mundo ver o jogo junto, torcendo, secando, numa boa e em paz.
Na Casa do Estudante, era impossível dormir. Com aquele amontoado de blocos, a gritaria era infernal. Se quisesse dormir, conseguia só até as quatro. Depois, dá-lhe berro, xingão, palavrão, "colorado fdp", "gremista veado". Só delicadeza. Fora os guris do andar, que colocavam a TV no saguão e berravam as duas horas e mais o tempo complementar. Às vezes eu me irritava, mas no fim eu ria porque era muito engraçada aquela euforia e aquela rivalidade que só entende quem entende o futebol.
A cada gol, eu me comunicava com meu pai. Se fosse gol do Grêmio, era toque na hora ou mesmo uma ligadinha. Se fosse o contrário, a gente esperava o intervalo para xingar a mãe do nosso presidente ou o desgraçado que fez o gol do Inter. E meu pai sempre dizia que dava para virar. Meu pai sempre foi animado, mesmo com dois a zero ele sempre acredita na virada. E grava todos os jogos, o que faz, para mim, com que ele seja o maior personagem dos Grenais.
Faltam agora menos de quatro horas para o Grenal, no Beira-rio. E eu imensamente gostaria de estar em casa, querendo que o Grêmio ganhasse para estar na Lima e Silva, ouvir até o último comentário da Gaúcha e esperar pela segunda-feira, fosse a zoação tricolor ou colorada.
Nostalgiazinha desgraçada.

6.6.08

fracassos e vitórias

Eu não devia usar esse blog para historietas pessoais. Mas um professor na Fabico, há muitos anos, me contou que a gente só deve escrever sobre o que nos incomoda. Então, eu só quero dizer, principalmente para mim, que se tudo der errado em São Paulo eu não fracassei. Se tiver que voltar para casa dos meus pais, sem dinheiro e sem perspectiva, não vai ser uma desgraça. Só chegar em São Paulo e procurar emprego, de repente, parece o suficiente para quem nunca levou a sério a idéia de uma faculdade.
Quanto muito, ainda adolescente, o máximo dos sonhos era fazer um curso na UCS, em Caxias. Mas eu nem sabia como. Talvez eu fosse muito abençoada e ganhasse uma bolsa. Ou conseguisse um emprego em Farroupilha mesmo que pagasse razoavelmente bem, que me permitisse juntar grana para uma graduação. O mais provável, ainda, era arrumar um emprego em uma malharia ou ser caixa de supermercado. Por toda a vida. O segundo grau parecia ser o limite. Eu sonhava, desde pequena, em conhecer o mundo e ser arqueóloga. Mas arqueologia era coisa de cidade grande, muito grande e longe, como o Rio de Janeiro, por exemplo. Nessa época, o Rio dava a impressão de ser em outro planeta, tão impossível parecia chegar lá.
Então, quando eu descobri que poderia fazer faculdade sem pagar nada, em Porto Alegre, decidi arriscar. Descobri também que precisava estudar muito, ainda mais os que vinham de colégio público. Diziam que a Ufrgs “não era para qualquer um”. Foi no esforço que meu pai, desempregado, acertou tudo para eu fazer cursinho. Foram dois anos, mas eu passei. De primeira chamada. De repente, aquilo que parecia tão distante se tornou realidade. E eu, provinciana, me vi na capital do estado, no meio de um monte de gente com dinheiro e sem dinheiro, gente que se matou para entrar em uma universidade federal e gente que ingressou como se fosse essa a ordem natural das coisas.
Jamais quero me envergonhar do meu passado e esconder que precisei morar de favor, em Casa de Estudante, em lugares melhores e bem piores. Que vendi as fichas de ônibus que eu ganhava nos estágios para comprar comida e andava a pé por, realmente, não ter dinheiro para passagem. Que o RU me salvou muito, no almoço e no jantar. De ter acreditado, várias vezes, que eu ia ter que desistir. E eu chorei muitas vezes só de pensar que eu seria obrigada a largar a faculdade não por ser incapaz, mas por não conseguir me sustentar em Porto Alegre. Nada daquilo parecia justo.
Mas eu me formei. Superei não só a imensa vontade de chutar aquele maldito curso que só me ensinou a ser uma foca treinada como a tentação de me mudar para as Ciências Sociais e descobrir se lá é possível ser um pouco repórter. Enfim, agüentei. E, como o “mercado” em Porto Alegre parecia chato e sem perspectiva, pensei na possibilidade de largar o que eu tinha e tentar tudo em São Paulo. Como eu sempre quis. Se eu descobrisse que as coisas lá fossem tão ruins quanto, tudo bem. Se fossem melhores, lucro para mim.
E também São Paulo, que parecia tão impossível, um dia se torna realidade. Eu, que seria bem provável atendente de loja no interiorzão gaúcho, me encontro disputando empregos e vagas em uma das maiores cidades do mundo. Por isso, se tudo falhar, eu não vou me desesperar nem sair xingando todos os santos. Afinal, nada disso, anos atrás, parecia possível. E o Borges mesmo disse que todo fracasso, no fundo, é uma misteriosa vitória.

28.3.08

em vez de música, um blog

Quando até mesmo eu que era viciadinha na adolescência em Guns N’Roses esqueço que a banda teima em existir, descubro que criam um blog do Chinese Democracy. Sim, aquele álbum que há quase 20 anos está para ser lançado. Apesar de já ter enchido o saco desse último suspiro de discografia que sempre é adiado com desculpas imbecis para não dizer que o Axl mal se segura em pé, até vou linkar o bichinho aí do lado. Para relembrar mesmo minha fase de adolê. E para ser bem saudosista dos tempos em que o Axl era tão bonitinho.

16.8.07

nostálgica

Sou um tanto nostálgica por natureza. Mas ir até a Fabico nesse semestre que - se tudo der certo - será o último, me desperta esse sentimento mais do que nunca.
Nem saí de lá ainda, mas a nostalgia nasce dos amigos que já saíram ou estão saindo. Me dei conta da tristeza de ir ao bar ou passar na frente do Dacom (já que sou velha demais pra entrar) e não encontrar mais caras conhecidas. Elas foram sumindo aos pouquinhos. Agora, são raridade.
Acho difícil, sinceramente, ir até a Fabico e não encontrar mais as pessoas que me fizeram rir e aprender tanto.
É como se, agora, aquilo fosse só um prédio vazio, velho, com cartazes e pessoas que não me dizem nada.

25.4.07

o texto sem dono

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos - não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primaverae continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

(segundo boatos, de Jorge Luís Borges)

25.3.07

a nostalgia do arpoador


Queria ter tirado fotos do Arpoador, como de todos os lugares por onde eu passei pelo Rio de Janeiro, mas o fato de não ter uma câmera serve de justificativa. Só que pela primeira vez eu não preciso olhar as imagens dos outros. Basta eu lembrar do fim de tarde em que eu subi na pedra e fiquei olhando um pôr do sol que surgiu pra mim, já que a hora me pareceu, durante aquela semana, algo completamente dispensável. Ao subir no Arpoador entendi porque foi o lugar preferido do Cazuza. E, sem querer desmerecer Porto Alegre, só acha exuberante o pôr do sol do Guaíba quem nunca pisou no Rio de Janeiro. Não foi necessário fotografar o Arpoador. Ele permanece na minha memória.

axl em Porto Alegre

Fiquei surpresa quando li na Zero Hora, há umas duas semanas, que o Guns vai vir a Porto Alegre. Se fosse nos meus 17 anos, talvez a notícia teria me deixado muito feliz, mesmo sabendo que de Guns, mesmo, só tem um Axl gordo ali. Mas, agora, o que eu senti foi uma grande nostalgia. Guns era quase tudo que eu ouvia na época do colégio e depois durante o cursinho. Lembro sempre de pegar os ônibus de tarde, de Caxias pra Farroupilha, depois das aulas extras, com meu walkman na mochila e os fiozinhos do aparelho enrolados. Eu sempre ouvia Stranged. Muitas vezes eu ouvia até três, quatro vezes. Sempre que eu ouço isso, eu lembro daqueles trajetos, quando eu não tinha idéia do que aconteceria comigo. Se eu passasse, me mudaria pra Porto Alegre. Ou então fracassaria de novo, começaria de novo, nem sei se conseguiria. Eu pensava nisso e ouvia Stranged. Ou então eu ouvia de noite, depois de estudar, depois de terminar todas as coisas que eu tinha no tal dia. Era como um presente pra mim, de fim de noite. Como se, pelo menos, o tempo me desse a chance de ter algo que me fizesse feliz. Nem que fosse uma música.
Hoje, me sinto igual àquele tempo, talvez mais assustada por não saber o que vai acontecer comigo. Em que vou trabalhar, no que vou trabalhar, o que vou fazer, onde vou morar, quem vão ser as pessoas da minha vida, o que vai ser a minha vida. Talvez eu devesse ouvir Stranged de novo. O certo é que, no dia 15 de maio, eu pretendo estar no Gigantinho vendo o Axl. E lembrando do tempo em que ouvia muito Guns N' Roses.