31.12.18

Um ano pra me sentir realizada




Única postagem no ano, mas eu adoro fazer e por isso vencemos a preguiça para estarmos aqui:

Coisas boas

1. Participei da construção do livro sobre van Emelen! Eu tinha um super sonho de colaborar em algum livro (porque enrolada como sei jamais escreveria, mesmo que me tivesse talento) e fiquei radiante quando fui convidada. Foi bastante cansativo mas esse acontecimento, por si só, faria de 2018 um ano mágico. Ir na Martins Fontes da Avenida Paulista e ver o livro com meu nominho na ficha técnica e nos agradecimentos ali, em meio a tantas obras magníficas.

2. Aprendi italiano! Concluí o nível básico da língua e comecei o livrro de Intermediário. Ainda não tive a experiência de usar o idioma pra conversar com alguém, mas pelo que me conheço e conheço de línguas não vou ter grandes problemas quando isso acontecer. Italiano estava na minha lista de "um dia/talvez" e me sinto incrível por ter cumprido esse objetivo em um ano.

3. Financeiramente o ano foi muito bom. Pela primeira vez consegui juntar dinheiro dando aulas, algo que me pareceria impossível quando comecei, há três anos. Apesar de alguns contratempos economizei legal.

4. Aos poucos a minha nova viagem foi se materializando. Cumpri passos importantes e deixei tudo o mais encaminhado possível para tirar do papel de vez esse objetivo em 2019. Não tem mais jeito, aí vamos nós!

5. Ganhei um amor inesperado, um amor que já rondava minha vida. A Pipoca, depois de ficar doente, resolveu me adotar e eu me deixei ser adotada. Pode parecer bobagem, mas uma gatinha tornou meus dias mais coloridos, quebrou certas resistências minhas e eu descobri que absolutamente amo ser mãe de bicho. Dure o quanto durar, a pimpolha já mora no meu coração pra sempre.

6. Li muito. Aliás, meu recorde recente. Foram 33 livros e mais uns dois dias eu fechava 2018 com 34 lidos. Pra quem passou anos lendo um ou dois, olha, que mudança.

7. Apesar de capenga, especialmente no segundo semestre, mantive atividade física e meditação. Pontos para melhorar, mas por ora considero algo bom do jeito que foi.

8. Esse ano me trouxe uma paz de espírito. Precisei me isolar de muitas coisas e de muitas pessoas pra descobrir o que é essencial pra mim. É como se eu tivesse finalmente me perdoado, me redescoberto, me aceitado.

9. Cresci muito profissionalmente esse ano. Ano passado já tinha aprendido que se não fosse atrás do meu ninguém iria por mim, e esse ano aprofundei essa filosofia. Era hora de me tornar mais responsável pelos meus negócios e eu fiz isso o quanto pude.

10. Por incrivel que pareça até irlandês eu consegui estudar um pouco esse ano. Faltou tempo pra ir além, mas gostei muito da louca aventura de tentar aprender esse idioma insano de tão difícil.

11. (bônus) Meu pai conseguiu se aposentar!

Coisas ruins

1. Pela primeira vez em muitos anos não fiz uma viagem sequer pra além de Farroupilha, pra onde gostaria, inclusive, de ter ido mais vezes. Mais falta de tempo do que de dinheiro, mas considero que esse ano foi bastante atípico.

2. Uma reforma infernal na minha casa que durou três fucking meses. Um milagre chegar ao fim desse período com sanidade. Com certeza eu poderia ter feito mais coisas não fosse a zona em casa, o barulho, a incapacidade total de se concentrar. Acho que eu merecia um troféu no fim das contas.

3. A Pipoca ficou doente em setembro e fora o medo de perdê-la o episódio foi estressante, foi muito estressante. E foi caro. Se das coisas ruins a gente tira um coisa boa foi que ela descobriu que me ama :) 

4. Não pude estudar inglês como gostaria e passei o ano me debatendo com metas que nem de perto consegui manter.

5. Tinha um projeto de manter meu nível de espanhol lendo livros de literatura clássica da Biblioteca Cervantes e tinha feito até um cronograma pra ler um por mês mas adivinha que nem consegui começar. Queria ter estudado marketing digital e me aprofundado em como dar aulas online. Não consegui. Aliás, meu sistema de organização pessoal mostrou que não comporta a minha desorganização e procrastinação de cada dia e várias coisinhas que eu podia ter feito pra completar alguns projetos não aconteceram. 

6. Meu blog em inglês ficou abandonado. Em português também, Isso me deixa bem triste. Escrevi algumas vezes pro Medium, mas foi uma fase meio temporária e eu sinto falta de algo mais “íntimo”, digamos, como um blog.

7. Minha avó sentiu mais dores no corpo esse ano e espero que isso não se alastre pro novo ano.

8. Minha rotina, de modo geral, foi esculhambada. Normalmente ela é bastante incerta pela natureza do meu trabalho, mas sinto que poderia ter sido bem melhor em termos de comer, dormir e afins. Talvez por isso tenha chegado em dezembro quase morta de tão cansada.

9. Tive uma tosse entre julho e agosto que me fez gastar dinheiro e me enervou até não poder mais.

10. Não dei a atenção que eu queria pros meus amigos, nem pra minha família.


Analisando meu ano com esse meu exercício eu vejo que não fiz taaaantas coisas, mas as que fiz foram grandes e signficativas, como editar o livro, aprender italiano e (pré)organizar a viagem. Junto com o meu trabalho isso tomou um tempo surreal e afetou todas as áreas da minha vida, como família, lazer (minhas sagradas viagens pros arredores de São Paulo) e até outros estudos. Porém, acho que consegui fazer o que era essencial, como sugere um livro que li dias atrás, e o que não fiz agora faço depois ou nunca mais, se sentir que não é o caso.

Não lembro de ter terminado um ano tão motivada pra começar o outro. Medo eu sinto sim, mas algo importante mudou em mim esse ano e tem a ver com o que eu coloquei no item 8 das coisas boas. É como se uma parte (ruim) de mim e da minha história estivesse ficando pra trás e algo bom estivesse renascendo no lugar.



Eu tenho apenas um grande objetivo em 2019 e não almejo mais que isso. Vai ser difícil, vai me dar milhares de dores de cabeça, mas ele precisa ir em frente. Algo me diz que daqui a um ano, quando eu escrever essa lista de novo, vai faltar espaço tanto pras coisas positivas quanto negativas. Agora é só esperar. E respirar. Porque o que tiver que acontecer vai acontecer :) 




30.12.17

Buscando o equilíbrio


Venho sofrendo da costumeira preguiça de recesso que me acomete nessa época do ano. Mas eu gosto e até preciso refletir um pouco sobre o ano, então decidi escrever meu já tradicional balancete de dezembro, com coisas boas e ruins que se passaram.

Coisas boas
1. Primeira notícia maravilhosa do ano foi: passei no CAE. Fiz o teste no final de 2016, mas o resultado só saiu último janeiro: 199 pontos, só um pontinho longe da proficiência. Até pensei em fazer o CPE este ano, mas seria necessário um planejamento grande e abrir mão de muitas outras coisas. Let it go, ao menos por ora.

2. Fiz 12 cursos online. DOZE. O dobro do ano passado. Nem eu acredito. Seis de espanhol (um programa integrado da Open University/Future Learn). Outro do  British Council (via Future Learn também) sobre aprendizado e ensino de línguas (uma contribuição enorme à minha formação). Três de Business English da Arizona State University na Coursera e dois de meditação de uma universidade australiana (também via FutureLearn, onde passei boa parte do tempo em 2017). Pra 2018 já estou matriculada em sete. Vamo que vamo.

3. Li 29 livros, do quais 27 inéditos. Ler pouco nos últimos anos era algo que me incomodava, quase me envergonhava e, principalmente, algo que me intrigava. O que houve com aquela pessoa que lia tanto? (eu no caso, um tempo atrás). Esse ano, em vez de esperar um horário ideal pra ler, eu enfiei ao menos um livro na bolsa ou na mochila e li no caminho. Passei hooooras em transporte público e foi ali que li quase tudo isso.

4. Trabalhei como instrutora de inglês o ano todo, um objetivo que eu tinha no início do ano. Tive um feedback maravilhoso de alguns alunos e, embora não esteja decidida que quero me focar só nisso, me parece um futuro interessante. Comecei dando aula em uma consultoria e terminei com duas, depois de procurar novas parcerias no segundo semestre.

5. A possibilidade de uma viagem, em médio prazo, que pode desencadear a realização de vários sonhos. Nada está definido ainda, por isso sem mais detalhes. Digo apenas que sacudiu minha cabeça igual a um terremoto.

6. Mantive atividade física o ano todinho. Caminhando perto de casa, no condomínio ou no instituto Butantam, não consegui fazer todo dia, mas coloquei como prioridade e saí com esse fim ao menos três vezes por semana. O resto que espere que vou dar minha caminhada. Ainda tento colocar o alongamento como uma atividade diária (não me toma dez minutos), mas a preguiça é desgraçada.

7. Comecei, ainda bem timidamente, a fazer meditação, a partir de dois cursos muito legais no FutureLearn. Era algo que eu queria há anos e que, graças às formações, consegui tirar do papel. Me identifiquei 100% com o conteúdo do programa e já via benefícios após as primeiras práticas.

8. Aprendi a me preservar mais, assim como a meus sentimentos, e uma consequência foi me fechar mais e me afastar de algumas pessoas. Mas vejo um lado bastante positivo nisso. Eu precisava. Com isso, também diminuí meu tempo em redes sociais e pude fazer coisas divertidas em vez disso (brincar em um livro de liga-pontos, colorir com tempera, brincar com lápis de cor). Fora poder me focar mais em relacionamentos mais duradouros com pessoas queridas, pra quem posso dispensar atenção de forma mais plena.

9. Estudei espanhol o ano todo, de janeiro a dezembro. Coisa linda. No primeiro semestre teve o curso do Future Learn, que me deu o ânimo necessário. Cansada de estudar online, abri um cadastro na Biblioteca Cervantes, na Paulista, onde pude retirar livros. Me dando um prazo apertado pra completa-los, estou prestes a completar o nível B1 (faltam alguns exercícios que devo fazer semana que vem). Finalmente posso dizer que falo BEM o idioma.

10. Tomei a decisão de ser mais corajosa e tentar dar um rumo na minha vida profissional. Isso tem a ver com dar aulas particulares e também com a área de comunicação, onde pretendo me reciclar e tentar aprender novos conceitos. Se eu gostar, legal, se não parto pra outra. Percebi que neste ano andava meio ranzinza em alguns aspectos e nada vai mudar só com o poder negativo jogado pro mundo. Financeiramente as coisas estão ruins, não estou me sentindo realizada, talvez no fim das contas eu precisasse de toda a frustração dos últimos anos pra enxergar algumas coisas.

11. Logo no início do ano ganhei um dinheiro absolutamente inesperado que salvou minhas economias neste ano. Teve a ver com um trabalho anterior e, Deus do Céu, me senti ganhando na loteria. A vontade era danças no meio da rua.

12. No último mês do ano, troquei de quarto em casa. Pra um maior, um pouco mais caro, mas eu precisava de mais silêncio (o anterior era barulhento), mais espaço e de mudança. Uma qualquer, desde que imediata. Quero muito curti-lo em 2018.

13. Fiz umas viagens curtas, mas muito legais. Holambra, linda, finalmente a visitei. Destaco também Guararema e Atibaia, onde passei dias maravilhosos. Dentro de São Paulo também fiz uns passeios divertidos, conheci parques novos, trilhas, museus. Redescobrir a cidade sempre me deixa feliz.

14. Consegui visitar minha família mais do que a média. No segundo semestre, fora Natal, viajei pra Farroupilha duas vezes – incluindo aniversário da minha vó em outubro J Acho difícil repetir isso no próximo ano, mas vamos ver o que dá pra fazer. Skype tá aí pra isso.

15. Participei de alguns eventos e escrevi algumas poucas matérias para a Revista RI. Como tenho tentado praticar mais a gratidão, não poderia deixar de citar, afinal contribuíram com um dinheiro importante e me permitiram atualizar meu portfolio de jornalista.

16. Comprei um tablet. Me deu a louca, eu tinha um dinheiro que na época podia ser usado pra isso e pá pum. Coisa incrível. Amor da minha vida desde o primeiro minuto de uso.

Coisas ruins
1. Minha rotina de ir pra cama e de sono está bastante esculhambada e não consegui botar nos eixos. Conto nos dedos os dias em que acordei cedo por opção e não necessidade absoluta. Redes sociais, malditas, me roubam um tempo considerável à noite, fora a tal da tela brilhante, então pra 2018 quero colocar o limite (já testado) de não acessar a internet após as 22h. Difícil porque trabalho à noite (por isso a dificuldade de ter uma rotina equilibrada), mas posso fazer melhor.

2. Fiquei ultradeprimida em alguns momentos, principalmente na metade do ano e, se fosse pra arriscar o que houve em julho, diria que foi tudo dentro de mim dizendo “As coisas não estão legais”.

3. Financeiramente, apesar de ter ganhado um dinheiro legal no primeiro semestre, não consegui equilibrar as contas no segundo semestre e fiquei praticamente no prejuízo. Literalmente fiquei esperando trabalho, várias coisas saíram cagadas, e só agora consigo ter noção do absurdo de tudo isso.

4. Tentei conseguir trabalhos e projetos como jornalista, maiores para conseguir um dinheiro legal mesmo, e dei com os burros n’água. Impressão é que não tem mais nada aberto ou rodando. Que houve com o mundo? Cadê os jornal e as revista tudo?

5. Queria ter escrito muito mais para meu blog em inglês. Total falta de organização. Mas escrevi alguns para o Medium, em um caderno físico e até mesmo aqui, então tento não me chatear tanto. Consegui mudar o layout (aleluia!) e quero dar mais atenção pra isso nos próximos meses, ainda nem sei como.

6. Falando nisso, embora tenha melhorado muito em termos de organização, estou longe do ideal. Sinto que podia ter feito mais coisas, perdi tempo com bobagens, mas às vezes foi meio culpa do desânimo.

7. Queria ter avançado mais no estudo de inglês, mas no segundo semestre, enrolada e preocupada em arrumar mais trabalho, meio que larguei de mão. Acabo aprendendo muito por causa das aulas, mas não é o suficiente. Menos mal que estudei bastante espanhol (meta principal do ano), estudei um pouco de árabe (bem pouquinho) e até comecei irlandês no Duolingo.

8. Eu não tinha grandes expectativas em relação à minha vida afetiva e, nossa, ainda bem, porque começamos o ano do mesmo jeito que terminamos.

9. Um dos meus objetivos era aprender edição de imagem. Comecei bem empolgada a seguir alguns tutoriais do Gimp, mas em fevereiro já tinha perdido o pique.

10. Terminei o ano desgastada, principalmente na questão emocional. Era bem esperado, mas foi cansativo atravessar dezembro com esse sentimento.

Claramente, passei comtranquilidade das dez coisas positivas em 2017. Algumas foram estonteantes, outras apenas legais, mas todas contribuíram para que fosse um ano bom. Difícil, longo, desafiador, mas ainda assim não tenho do que reclamar da vida. Se tivesse que definir esse ano com uma palavra, diria que foi o ano da reflexão. Mais que qualquer outro. Antes de publicar estava lendo meus balancetes de anos anteriores e, credo, como tenho feito coisas. Se nem sempre as certas, ao menos tenho tentado. E vamos continuar tentando em 2018, que começará com tudo. Tem que dar certo. E vai dar.

20.11.17

Tirei as tintas da caixa. Saí da caixa também.




Nesse domingo eu planejava ir a uma palestra sobre assexualidade no Centro Cultural São Paulo, mas a) o metrô não estava funcionando b) o tempo estava chuvoso c) estava com preguiça d) preferi economizar o dinheiro da passagem e ficar em casa mesmo.

Ainda de manhã eu tinha decidido: ia ser dia de estrear minhas têmperas, meu pincel e meus apetrechos improvisados de pintura. TÊMPERA DE CRIANÇA????? Essas aí mesmo!

Eu sempre gostei muito de pintar. Quando era criança, idade em que se ganha altos incentivos para fazer essas coisas, encarava as tintas como um mundo à parte, um mundo adorável. Usava a mesa da cozinha pra fazer meus trabalhos de colégio ou, se o dia estava bonito, tomava um banco velho no jardim pra fazer de "ateliê". Com o tempo descobri que havia umas tintas esquecidas no porão, do tempo em que minha dinda estudava artes na escola, e claro que as peguei pra mim. Eu tinha então muitas cores e ainda fazia outros misturando.

Fui uma criança sortuda que, no ensino médio (sei lá como o chamam hoje), em Farroupilha, teve o privilégio de estudar educação artística. Estudar mesmo. Minha professora ensinava Impressionismo. Pop Art. Natureza Morta. Vem daí meu amor por Renoir, pra ter ideia. Com isso, fui aprendendo alguns conceitos e comecei a entender um pouquinho de arte. Eu cheguei a criar uma pintura impressionista que certamente não agradaria aos mestres,mas me achei supimpa. Infelizmente não guardei qualquer trabalho dessa época.

Só que tinha um problema. Nunca fui talentosa pras artes. Do tipo que alguém elogia. Duas amigas minhas, sim, elas arrasavam. Copiavam qualquer desenho com uma facilidade tremenda. Criavam umas coisas diferentonas. Eu, no máximo, fazia uns garranchos. Com muito esforço fazia algo que ganhasse atenção.

Mas não ter talento nato, seja lá o que isso significa, não quer dizer necessariamente falta de criatividade. Mas quem ganha reconhecimento em um sistema educacional rígido é quem faz tudo perfeitinho, bonitinho, seguindo regras. E eu nunca fui uma criança, por exemplo, que pintava dentro dos limites com lápis de cor. Fui treinada para fazer isso. Treino mesmo, professora me repreendendo, adultos tendo chilique porque eu risquei todo um livro de histórias que ganhei da minha prima. Eu tava me divertindo apenas, mas pros adultos, noooossa, a Pati não é muito normal (eu sempre fui meio a esquisitona do rolê).

Daí eu fui crescendo, assumindo responsabilidades (tipo vestibular!) e esqueci das as  temperas. Quer dizer, esquecer nunca esqueci, mas a época disso tinha passado, segundo eu mesma ou as regras sociais ou sei lá quem.

O tempo passou e eu sempre rejeitando a ideia de ser criativa. Criatividade é pra publicitário, artista, povo do teatro, só sou jornalista, gente, escrevo umas histórias e uns textos pra internet. Era assim que eu pensava, até porque detestava (e detesto) escrever ficção.

Em 2012 tive a chance de fazer um curso gratuito no Mube, História da Arte Universal. Amei as aulas, amei a professora, passei a sonhar com visitas a museus europeus, comprei um livro pra estudar mas sempre com a ideia “Eu queria ser criativa, mas não sou, que pena”.

Até chegar a Dublin em 2014. Lá, em uma manhã fria de inverno, resolvi fazer um teste de personalidade que me revelou IFSP, conhecido como “artista-compositor”. E aí descrevia esse tipo de pessoa e CARAAAALHO TEM TUDO A VER COMIGO. Entendi então que eu era criativa, sim. Que eu passo o dia tendo ideia mirabolante e fazendo planos pra lidar com minhas ideias e pesquisando e querendo fazer tudo diferente e enjoada do que já conhecia e que criatividade é tudo isso e... Tão eu mesma.

Desde então me perguntava “Por que eu deixei de pintar?” E eu não encontrei resposta.

Todo esta história me traz até 2017, mais precisamente seu início, quando eu estava tão feliz em um dia que passei em uma Kalunga pra comprar alguma coisa e saí de lá com têmperas. É agora, pensei. Enrolada com mil questões durante o ano, deixei as têmperas guardadas em uma caixa com meus livros. 

Neste fim de semana elas saíram da caixa, ou talvez eu tenha saído da caixa junto com elas. Almocei, dormi, continuei um texto pro meu outro blog e tcharaaaamm liberei espaço pras minhas tintas. Meses de espera praquelas têmperas novinhas, anos de espera pra mim, que senti tanta saudade daquele movimento de combinar cores no papel, esperar secar, limpar pincel, começar tudo outra vez...

Fiz uma casinha no bosque que, pra ser honesta, ficou horrenda. Isso do ponto de vista estético, claro. Algo meio Van Gogh, talvez aquela árvore, não sei, mas poxa, imediatamente já passei a amar esse desenho. 



Nessa segunda de feriado me sinto imensamente bem. Fico me perguntando se é só reflexo da meditação recém- iniciada ou se foram as tintas que deram uma colorida a mais na vida. Quem sabe não estudo pintura a sério no futuro? Sei apenas que não vejo a hora de ter um tempinho livre pra pintar uma coisinha nova e recuperar o tempo perdido.

Queria dizer àquela Pati pequenininha que rabiscava livros que está tudo bem, que artistas e/ou loucos sempre foram meio incompreendidos, então não tem nada pra se preocupar.



7.11.17

Da literatura húngara

"A gente só precisa dar o primeiro passo no caminho da decadência, o segundo parece natural."

(O Último Charuto no Arabs Szürkem, Gyula Krúdy)

1.11.17

inseguranças

Acordei pensando um monte de coisas nessa quarta com carinha de bunda, como têm sido os dias em São Paulo, e pensando principalmente que meus medos daqui pra frente (alguns, uns tantos) são meio bobos porque eu já enfrentei tanta coisa mais difícil nessa vida.

Como diz no popular, foi cada leão que eu já tive que matar que, sinceramente, posso rir da minha própria insegurança quando ela vem.

E como diz a música lá, não vim até aqui pra desistir agora. Mas não mesmo.

8.10.17

E só faltam três



Isso mesmo, três meses para terminar o ano. Menos, porque hoje já é dia 7 de outubro. Não sou de correr quando se chega nessa fase, prefiro já eliminar o que não dá pra fazer e projetar um ano que vem lindo e novo.

Já começo dizendo que comecei a segunda metade de 2017 revendo objetivos, ou melhor, trocando-os de lugar. Quero fazer o que me propus, mas talvez algumas coisas aconteçam antes de outras. Nada está definido, e estou muito tentando não permitir que isso ferre de vez com minha cabeça. Paciência é a palavra que mais me cabe no momento.

Sobre as minhas diretrizes de 2017, expressão que considero mais conveniente do que "promessas", algumas vão bem, outras se perderam no caminho e vão ficar pra outra hora.

1. Seguir estudando inglês rumo à proficiência

Considerando que devo estudar todos os dias por causa do meu trabalho, posso dizer que estou cada vez mais perto da proficiência propriamente dita. Recentemente defini que preciso voltar algumas casas e estudar os livros de Upper Intermediate e Advanced que trouxe de Dublin. Sinto que algumas estruturas de gramática, por exemplo, ainda me confundem, e vocabulário é algo que nunca se para de aprender. Sem dizer que as milhares de collocations que eu aprendo para o CPE não uso com os alunos, então estão fazendo sentido para melhorar meu vocabulário mais "comum".

2. 2017 será o ano da literatura russa

Na semana em que escrevo isso, passei em uma livraria e havia e promoção de muuuuitos livros de literatura russa (e da editora 34, que traduz direto para o português). Tem dois que desejo comprar, desejo muito, mas no domingo gastei R$ 35 em livros em inglês (James Joyce e Oscar Wilde, sabe como é) então chega de livro em outubro.

Anna Karenina continua na lista do Skoob de metas para 2017, mas sinto que não vai rolar. Fica pra depois. Ao menos estou lendo bastante, então falta de leitura não é.

3. Manter atividade física

Esse está fácil. Caminho a cada dois ou três dias por 30 ou 40 minutos. Pretendia voltar a correr ainda esse ano, cheguei a buscar grupos de corrida gratuitos, mas são em horários malucos e não tem como conciliar com uma rotina também maluca de aulas e trabalho. Fiz menos trilhas no último trimestre e quero fazer ao menos uma legal até o final do ano.

4. Estudar espanhol no primeiro semestre e árabe no segundo semestre

Esta minha diretriz é um sucesso na metade e um fracasso na outra. Sigo estudando espanhol e dei uma evoluída sensacional entre agosto e setembro. Estou concluindo a revisão dos livros de A1 e A2, graças à maravilhosa Biblioteca do Instituto Cervantes que me empresta livros por módicos R$ 40 ao ano. Se tudo der certo, até o final do ano encerro o livro e os estudos do nível B1 e aí signfica Upper Intermediate (ainda não sei dizer isso em espanhol, mas é o tal do B2).

Já o árabe, coitado, continua na fila. Tá foda só pensar em conciliar três idiomas. Esse aí já joguei pra ano que vem, com fé e esperança de que ao menos conseguirei revisar alguma coisinha.

5. Diminuir ainda mais o uso de redes sociais e otimizar meu tempo online

Nos últimos tempos, em função de procurar trabalho em mais consultorias de inglês e em projetos de jornalismo, precisei acessar mais o Facebook e o Linkedin, mas ainda assim em doses racionais. Interajo com as pessoas no final de semana, exceto quando algo mais urgente aparece. Twitter abro a cada 7 ou mesmo 15 dias. Sigo usando bastante o Instagram, mas confesso ter enjoado um pouco. Assim como aconteceu nos últimos meses, quando estou online estou geralmente fazendo algo útil, uma melhora de 500% em relação ao que eu já fui.

6. Conhecer lugares novos o máximo possível – pelo menos um lugar diferente por mês

Em julho, mês do meu aniversário, saí de São Paulo todos os finais de semana para conhecer locais e cidades diferentes. Em agosto, fui a Holambra e curti tanto que considero a viagem um bom "sossega-rabo" por uns tempos. No mesmo mês fui pro RS, viajei com meus pais pra Antônio Prado e amei a cidade. Setembro foi um mês agitado e eu estava sem cabeça até pra pensar no que fazer sábado ou domingo. Vamos ver se consigo voltar à rotina de diversões (baratas) antes de chegar o calor medonho.

Holambra :) 

7. Planejar futura viagem (plano ainda em gestação) – ler o máximo possível

A ideia era viajar pela América do Sul em 2018 e, no momento, o plano foi abortado. Notas metas no lugar, talvez. Quem sabe o que vem por aí.

8. Dar mais atenção à minha família

Continuo uma pessoa que odeia falar no telefone e, por isso, ligo pouco para minha família. Eles são ocupados, eu ando toda enrolada, então passo mais de uma semana sem dar sinal de vida. Ao menos viajei pro RS em agosto e vou novamente em outubro, já na próxima semana. Melhor que telefone, né :)

9. Passar mais tempo desconectada da internet

Difícil desconectar quando se precisa de internet pra tudo na vida - trabalhar, estudar, checar previsão do tempo, ver vídeos de animais lindíneos e atualizar lista de projetos e atividades. Tento desligar mais aos finais de semana, quando saio, até porque meu smartphone nem conecta em wifi pública mais, coitado.

10. Tentar dar “um rumo na vida” em termos profissionais

Tive vários “insights” nesses últimos três meses sobre a vida em geral, e a questão profissional não fugiu. Me dei conta de que, em geral, não estou feliz do jeito como as coisas estão. É preciso mudar. Estudar. Tentar. Sempre fui muito feliz em termos de trabalho e pela primeira vez lido com um certo sentimento de frustração.

A certeza da insatisfação me levou a tirar a bunda da cadeira. Aos poucos estou estabelecendo parcerias com novas consultorias de idiomas para dar aulas, não só porque preciso de dinheiro mas porque quero ganhar mais experiência. Penso também em dar aulas por conta, principalmente via Skype. Avisei alguns amigos que estou disponível para trabalhos na área do jornalismo e planejo também aprender muito sobre marketing digital. De tudo isso, algo bom vai ter que sair.

11. Estudar mais sobre anarquismo

Não rolou. E não vai rolar em 2017. Paciência.

Pra resumir, julho, agosto e setembro foram meses pesados. Muitas coisas aconteceram e ainda estão acontecendo, o que me deixa perdida volta e meia. Pretendo estudar um pouco sobre mindfulness nas próximas semanas porque, se tudo correr como espero, tenho uma batalha longa pela frente, mas a única que realmente estou a fim de enfrentar hoje.

Wish me luck.

8.9.17

a kombi estacionada e a necessidade de caminhar


Nos últimos quatro anos minha vida tem sido uma montanha-russa maluca, com empregos que vão, empregos que vêm, cidades novas, passeios, pessoas, decepções, alegrias, e a única coisa que me acompanha é uma instabilidade.

Em 2017 eu prometi que faria o possível para manter o ano tão tranquilo quanto possível. Começou muitísimo bem, com boas novas fenomenais, depois o ritmo caiu por volta de abril. Em maio eu já estava com a corda toda outra vez, mas em julho senti uns sintomas de depressão muito fortes. Como há anos eu não sentia. Foram semanas me sentindo mal, alguns dias quase insuportávei, tavez o tal do inferno astral que apareceria antes do aniversário.

Pós-ficar mais velha voltei a me sentir melhor, e agora eu sinto aquela âncora terrível querendo me levar pra baixo outra vez. Em questão de dias se passaram várias coisas, sentimentos, ideias, imagens, Sao Paulo, Dublin, onde exatamente eu estou, e é bem difícil segurar as pontas de vez em quando.

Eu achava que meu futuro estava relativamente certo, daí a vida me mostrou que talvez não seja bem assim. Que talvez tudo dependa de mim. Que eu talvez precise ser mais corajosa do que sempre fui. Parece que decisões terão que ser tomadas.

Algo tem me incomodado de uns tempos pra cá. A certeza de que estou demasiado parada na vida. Para meus padrões, claro. Tem gente que passa a própria existência fazendo o mesmo e não há problema. Mas eu queria estar de alguma forma andando. E não estou. Me sinto como uma kombi velha, daquelas estacionadas, abandonadas numa rua lateral qualquer, pra quem ninguém presta muita atenção. Aos poucos vão levando as peças, a pintura descasa, molha o forro dos bancos, mas aparentemente está tudo igual, porque ela não anda, parou de andar faz muito, então tá tudo bem. Tudo normal.

Só que não. Não tá tudo bem e até em sonho eu já gritei tentando comunicar algo que não sei explicar, não é visível. Eu sou essa kombi velha e não quero ser. Eu quero andar, ver paisagens, transportar ideias, carregar e descarregar sentimentos.

É muito difícil admitir que não, não tá tudo bem, ao contrário, tá tudo cagado e não se sabe onde consertar primeiro. Mas é preciso fazer isso.

Acho que o primeiro passo eu já dei. Como o dono da Kombi que precisa tirá-la do lugar o quanto antes de ter perda total, eu preciso caminhar. Foi difícil perceber o quanto tenho sido covarde, mas lamentar não adianta, então vamos olhar pra frente. Seguindo.