30.12.17

Buscando o equilíbrio


Venho sofrendo da costumeira preguiça de recesso que me acomete nessa época do ano. Mas eu gosto e até preciso refletir um pouco sobre o ano, então decidi escrever meu já tradicional balancete de dezembro, com coisas boas e ruins que se passaram.

Coisas boas
1. Primeira notícia maravilhosa do ano foi: passei no CAE. Fiz o teste no final de 2016, mas o resultado só saiu último janeiro: 199 pontos, só um pontinho longe da proficiência. Até pensei em fazer o CPE este ano, mas seria necessário um planejamento grande e abrir mão de muitas outras coisas. Let it go, ao menos por ora.

2. Fiz 12 cursos online. DOZE. O dobro do ano passado. Nem eu acredito. Seis de espanhol (um programa integrado da Open University/Future Learn). Outro do  British Council (via Future Learn também) sobre aprendizado e ensino de línguas (uma contribuição enorme à minha formação). Três de Business English da Arizona State University na Coursera e dois de meditação de uma universidade australiana (também via FutureLearn, onde passei boa parte do tempo em 2017). Pra 2018 já estou matriculada em sete. Vamo que vamo.

3. Li 29 livros, do quais 27 inéditos. Ler pouco nos últimos anos era algo que me incomodava, quase me envergonhava e, principalmente, algo que me intrigava. O que houve com aquela pessoa que lia tanto? (eu no caso, um tempo atrás). Esse ano, em vez de esperar um horário ideal pra ler, eu enfiei ao menos um livro na bolsa ou na mochila e li no caminho. Passei hooooras em transporte público e foi ali que li quase tudo isso.

4. Trabalhei como instrutora de inglês o ano todo, um objetivo que eu tinha no início do ano. Tive um feedback maravilhoso de alguns alunos e, embora não esteja decidida que quero me focar só nisso, me parece um futuro interessante. Comecei dando aula em uma consultoria e terminei com duas, depois de procurar novas parcerias no segundo semestre.

5. A possibilidade de uma viagem, em médio prazo, que pode desencadear a realização de vários sonhos. Nada está definido ainda, por isso sem mais detalhes. Digo apenas que sacudiu minha cabeça igual a um terremoto.

6. Mantive atividade física o ano todinho. Caminhando perto de casa, no condomínio ou no instituto Butantam, não consegui fazer todo dia, mas coloquei como prioridade e saí com esse fim ao menos três vezes por semana. O resto que espere que vou dar minha caminhada. Ainda tento colocar o alongamento como uma atividade diária (não me toma dez minutos), mas a preguiça é desgraçada.

7. Comecei, ainda bem timidamente, a fazer meditação, a partir de dois cursos muito legais no FutureLearn. Era algo que eu queria há anos e que, graças às formações, consegui tirar do papel. Me identifiquei 100% com o conteúdo do programa e já via benefícios após as primeiras práticas.

8. Aprendi a me preservar mais, assim como a meus sentimentos, e uma consequência foi me fechar mais e me afastar de algumas pessoas. Mas vejo um lado bastante positivo nisso. Eu precisava. Com isso, também diminuí meu tempo em redes sociais e pude fazer coisas divertidas em vez disso (brincar em um livro de liga-pontos, colorir com tempera, brincar com lápis de cor). Fora poder me focar mais em relacionamentos mais duradouros com pessoas queridas, pra quem posso dispensar atenção de forma mais plena.

9. Estudei espanhol o ano todo, de janeiro a dezembro. Coisa linda. No primeiro semestre teve o curso do Future Learn, que me deu o ânimo necessário. Cansada de estudar online, abri um cadastro na Biblioteca Cervantes, na Paulista, onde pude retirar livros. Me dando um prazo apertado pra completa-los, estou prestes a completar o nível B1 (faltam alguns exercícios que devo fazer semana que vem). Finalmente posso dizer que falo BEM o idioma.

10. Tomei a decisão de ser mais corajosa e tentar dar um rumo na minha vida profissional. Isso tem a ver com dar aulas particulares e também com a área de comunicação, onde pretendo me reciclar e tentar aprender novos conceitos. Se eu gostar, legal, se não parto pra outra. Percebi que neste ano andava meio ranzinza em alguns aspectos e nada vai mudar só com o poder negativo jogado pro mundo. Financeiramente as coisas estão ruins, não estou me sentindo realizada, talvez no fim das contas eu precisasse de toda a frustração dos últimos anos pra enxergar algumas coisas.

11. Logo no início do ano ganhei um dinheiro absolutamente inesperado que salvou minhas economias neste ano. Teve a ver com um trabalho anterior e, Deus do Céu, me senti ganhando na loteria. A vontade era danças no meio da rua.

12. No último mês do ano, troquei de quarto em casa. Pra um maior, um pouco mais caro, mas eu precisava de mais silêncio (o anterior era barulhento), mais espaço e de mudança. Uma qualquer, desde que imediata. Quero muito curti-lo em 2018.

13. Fiz umas viagens curtas, mas muito legais. Holambra, linda, finalmente a visitei. Destaco também Guararema e Atibaia, onde passei dias maravilhosos. Dentro de São Paulo também fiz uns passeios divertidos, conheci parques novos, trilhas, museus. Redescobrir a cidade sempre me deixa feliz.

14. Consegui visitar minha família mais do que a média. No segundo semestre, fora Natal, viajei pra Farroupilha duas vezes – incluindo aniversário da minha vó em outubro J Acho difícil repetir isso no próximo ano, mas vamos ver o que dá pra fazer. Skype tá aí pra isso.

15. Participei de alguns eventos e escrevi algumas poucas matérias para a Revista RI. Como tenho tentado praticar mais a gratidão, não poderia deixar de citar, afinal contribuíram com um dinheiro importante e me permitiram atualizar meu portfolio de jornalista.

16. Comprei um tablet. Me deu a louca, eu tinha um dinheiro que na época podia ser usado pra isso e pá pum. Coisa incrível. Amor da minha vida desde o primeiro minuto de uso.

Coisas ruins
1. Minha rotina de ir pra cama e de sono está bastante esculhambada e não consegui botar nos eixos. Conto nos dedos os dias em que acordei cedo por opção e não necessidade absoluta. Redes sociais, malditas, me roubam um tempo considerável à noite, fora a tal da tela brilhante, então pra 2018 quero colocar o limite (já testado) de não acessar a internet após as 22h. Difícil porque trabalho à noite (por isso a dificuldade de ter uma rotina equilibrada), mas posso fazer melhor.

2. Fiquei ultradeprimida em alguns momentos, principalmente na metade do ano e, se fosse pra arriscar o que houve em julho, diria que foi tudo dentro de mim dizendo “As coisas não estão legais”.

3. Financeiramente, apesar de ter ganhado um dinheiro legal no primeiro semestre, não consegui equilibrar as contas no segundo semestre e fiquei praticamente no prejuízo. Literalmente fiquei esperando trabalho, várias coisas saíram cagadas, e só agora consigo ter noção do absurdo de tudo isso.

4. Tentei conseguir trabalhos e projetos como jornalista, maiores para conseguir um dinheiro legal mesmo, e dei com os burros n’água. Impressão é que não tem mais nada aberto ou rodando. Que houve com o mundo? Cadê os jornal e as revista tudo?

5. Queria ter escrito muito mais para meu blog em inglês. Total falta de organização. Mas escrevi alguns para o Medium, em um caderno físico e até mesmo aqui, então tento não me chatear tanto. Consegui mudar o layout (aleluia!) e quero dar mais atenção pra isso nos próximos meses, ainda nem sei como.

6. Falando nisso, embora tenha melhorado muito em termos de organização, estou longe do ideal. Sinto que podia ter feito mais coisas, perdi tempo com bobagens, mas às vezes foi meio culpa do desânimo.

7. Queria ter avançado mais no estudo de inglês, mas no segundo semestre, enrolada e preocupada em arrumar mais trabalho, meio que larguei de mão. Acabo aprendendo muito por causa das aulas, mas não é o suficiente. Menos mal que estudei bastante espanhol (meta principal do ano), estudei um pouco de árabe (bem pouquinho) e até comecei irlandês no Duolingo.

8. Eu não tinha grandes expectativas em relação à minha vida afetiva e, nossa, ainda bem, porque começamos o ano do mesmo jeito que terminamos.

9. Um dos meus objetivos era aprender edição de imagem. Comecei bem empolgada a seguir alguns tutoriais do Gimp, mas em fevereiro já tinha perdido o pique.

10. Terminei o ano desgastada, principalmente na questão emocional. Era bem esperado, mas foi cansativo atravessar dezembro com esse sentimento.

Claramente, passei comtranquilidade das dez coisas positivas em 2017. Algumas foram estonteantes, outras apenas legais, mas todas contribuíram para que fosse um ano bom. Difícil, longo, desafiador, mas ainda assim não tenho do que reclamar da vida. Se tivesse que definir esse ano com uma palavra, diria que foi o ano da reflexão. Mais que qualquer outro. Antes de publicar estava lendo meus balancetes de anos anteriores e, credo, como tenho feito coisas. Se nem sempre as certas, ao menos tenho tentado. E vamos continuar tentando em 2018, que começará com tudo. Tem que dar certo. E vai dar.

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