"Como era uma menina pobre e prostituta, achavam que ninguém iria ligar. "
André Franzini, coordenador da Pastoral do Menor. O Estado de S.Paulo, 25/11/2007
Como é que alguém pode ser tão cruel e deixar uma menina de 15 anos presa em uma cela com mais de 20 homens? Trinta, foi divulgado em outros jornais. Será que nenhum dos policiais daquele raio de delegacia em Abaetetuba, no interior do Pará, tem filhos? Ou uma filha? Ou uma sobrinha?
Que tipo de gente é essa que é capaz de cortar o cabelo de uma menina pra ninguém descobrir que ela estava presa em uma cela masculina? Que gente é essa que consegue dormir sabendo que uma menina está sendo constantemente estuprada e agredida e humilhada? Como conseguiram não levar comida pra ela, fazendo com que ela tivesse que se prostituir ali dentro pra não morrer de fome?
E a cela dela era perto da rua. As pessoas ouviam os gritos. Eu não posso acreditar que nenhum dos que passaram ali jamais ouviu falar em denúncia anônima.
Ninguém se importou com ela. Exceto dois ou três detentos. E uma ou outra senhora ignorante que passava por ali, se indignava, mas tinha medo de represálias. E preferiu ficar quieta. Fazer de conta que nada acontecia.
Eu acho que esses presos que violentaram a menina de várias formas são uns monstros. Cruéis e impiedosos. Mas os policiais, os delegados e todos os malditos burocratas que sabiam disso e deixaram essa tortura correr solta, embaixo dos seus narizes, é igualmente ou ainda mais podre. É omisso. Não tem caráter, não sentimento, não vale nada.
Às vezes, é foda querer ser otimista nesse mundo.
3 comentários:
triste demais, mesmo. e incompreensível. e desanimador.
foda.
sim, esse tipo de coisa faz a gente ralmente perder a esperança... um verdadeiro horror...
Talvez seja meio ilógico, mas esse tipo de coisa não me faz perder a esperança, pelo contrário. Na verdade, eu fico tão absolutamente revoltado que me dá uma gana maluca de seguir indo contra essa gente - uma certeza de que alguém tem que resistir, que não podemos deixar essa gente vencer. E não vencerão. Não vencerão.
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