Esse blog anda bem abandonado mesmo. Sinto às vezes uma grande vontade de deletar e, talvez, começar outro. Mas, depois, sinto pena e penso que, se estou com preguiça de escrever, a culpa não é dele, coitado. Não se trata apenas de preguiça, mas de um misto de falta de objetividade mental e de Internet em casa. Sim, ainda não resolvi esse problema – a causa agora nem é mais a minha enrolação de ir atrás do melhor plano, e sim a maldita crise econômica que veio eclodir nos países pobres também.
Mas tem me dado uma vontade muito grande de escrever. E escrever coisas assim mesmo, mais subjetivas para um blog ou um diário – que consegui manter por alguns anos mas que hoje não conseguiria mais.
Tenho pensado bastante sobre como tem sido minha vida ultimamente, provavelmente porque dia 22 fez um ano da minha formatura ou porque, daqui a nem três meses, faço aniversário de um ano em São Paulo. Um ano já? Sim, um ano. Passou bem rápido mesmo. Lembro ainda da ansiedade e do medo gigante de vir para cá, tentar arrumar um emprego no centro mais concorrido do país, onde estão os, dizem, melhores profissionais.
Medo é uma palavra que, teoricamente, não se usaria para alguém que, com uma mão na frente e outra atrás, vem bater na porta de um monte de gente querendo trabalho, com dinheiro para pouco mais de um mês. O fato é que não pareço tão auto-confiante quanto talvez pareça; tenho um bocado de receio de que as coisas dêem errado. O que aprendi, com o tempo, é não deixar de fazer nada por causa disso.
Enfim, um monte de rodeios para dizer que, apesar das finanças um tanto apertada e da saudade que eu sinto das pessoas que eu gosto e que mais gostam e torcem por mim, eu estou muito realizada de estar aqui. Sei lá, se eu estivesse ainda em Porto Alegre não estaria ganhando mais e, com certeza, não estaria fazendo um monte de coisas legais no trabalho.
Se eu continuasse no Rio Grande do Sul, poderia me transformar numa daquelas pessoas que, toda sexta-feira à noite, há anos, se reúnem na Lima e Silva para comentar o quanto o mercado gaúcho é complicado para jornalistas. Bom, eu resolvi fazer alguma coisa em vez de simplesmente reclamar. Era uma questão de sobrevivência para mim. E não me arrependo.
São Paulo, é bem verdade, não tem aquela qualidade de vida. É muito complicado morar perto de um parque para poder caminhar ou correr, os meios de transporte são realmente lotados (tem congestionamento no metrô!), as ruas sujas e barulhentas, uma violência desagradável (sinceramente não tão maior que Porto Alegre), distâncias de fato grandes e preços meio malvados também.
Por outro lado, existem tantos lugares legais pra conhecer, tantos museus... Teatros, cinemas, festivais, restaurantes, centros culturais. Verdade que muitos desses programas são caros, mas, fuçando, se acha muita coisa boa de graça ou a um preço bem acessível. A maioria também é perto de metrô, e no final de semana o trânsito é bem reduzido, dá para pegar um ônibus tranqüilinho. Eu já fui mais de catar coisas para fazer e conhecer lugares... Mas é obviamente uma preguiça minha, não falha da cidade.
Além do mais, a quantidade de pessoas e histórias é indescritível. O suficiente para fazer feliz alguém acostumada a uma cidadezinha como a minha que, apesar de bonitinha e limpa, sempre me fez bocejar. Eu adoro andar na avenida Paulista (que fica a dez minutos da minha casa) e ver as diferenças que tem ali. Todas as modas, todos os cabelos, todos os sapatos, todas as expressões, tudo quanto é tipo humano. O metrô e a Praça da Sé são locais interessantes para ver todas as diferenças.
Inclusive as sociais, no centrão da maior cidade do Brasil. Enquanto tem gente trabalhando em escritórios super chiques, tem um número que parece cada dia maior de mendigos, doentes mentais e pessoas despejadas, que tem como único bem, além da própria vida, uma malinha surrada. Essa é a parte é triste, e para suportar a gente tem que fazer vista grossa, por mais que doa e se tenha consciência de que é cruel.
Voltando à questão do trabalho, tenho feito coisas que eu considero legais, tenho me sentido jornalista e repórter – que é o que me importa na vida -, estou trabalhando em um jornal sem ter de vender minha alma para o Feioso e tenho aprendido à beça. Volta e meia até sou elogiada. É quando tenho certeza de que, há um ano, fiz a escolha certa. Como disse, preciso consertar a parte financeira, mas sou novinha e não perco a esperança...
Não tenho, para esse ano, pretensão de grandes mudanças. Quero aprimorar o que tenho, crescer como jornalista e continuar fazendo o que eu gosto. Se possível, gostaria de arrumar um lugar mais legal para morar e ter internet para poder conversar mais com as pessoas e, quem sabe, conseguir uns freelinhas.
Mas sem atropelar as coisas, porque não há qualquer necessidade disso. Como me disseram logo que arrumei o primeiro emprego em São Paulo, “calma, está dando tudo certo”. Só pelo fato de agora acreditar que minha vida tem um sentido – coisa que em Porto Alegre eu não conseguia – já fico feliz. O resto vai ser conseqüência.
3 comentários:
Muito bonito o texto. E diz muito sobre o que eu também sinto, nesse momento em que estou prestes a mergulhar de cabeça na Grande Cidade - e, é claro, torcendo para que ela me receba com a mesma simpatia que eu, na verdade, já sinto por ela.
Tem horas que tudo precisa mudar. Eu sempre soube disso, e esperei que a hora chegasse para mim - nem com paciência, muito menos sabedoria, apenas esperei. E chegou, e vai ter que ser, nem que seja na marra! Tudo isso para dizer que acho que tu fez tudo muito certo, e em breve tomaremos umas cervejas num boteco por aí ;)
Beijo!
Que bom que está dando tdo certo para ti. Que as coisas continuem assim e que tu continue crescendo profissionalmente. Sobre SP, acho que teria muitas dificulddes para me adaptar aí. Não sou uma pessoa tão cosmopolita como tu e o Ígor. Talvez uma semana, para conhecer melhor a cidade, mas para morar seria difícil, afinal de contas, sou da zona rural de Porto Alegre e gosto dessa vidinha do interior. Abraços.
Não dá pra esquecer que nem da zona rural de Porto Alegre eu sou, em sim lá da zona dos gringos polenteiros... mas obrigada o mesmo pelo cosmopolita, me senti super habitante de cidade grande agora :)
e estou esperando já essas cervejitas, viu?
Bjs!
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