20.2.10

uma ex-recém-formada

Perto de completar um ano de formada no ano passado, dia 22 de fevereiro, lembro que eu estava não ansiosa pelo fato, mas um bocado saudosista. Ficava relembrando, revirando na memória uma série de coisas que tinham acontecido entre aquele dia de 2008 e aquele dia de 2009.

Dois anos depois, só lembrei da proximidade da data por causa de um comentário deixado no Facebook . Ando tão absorvida com coisas do dia-a-dia, tentando encontrar pautas legais ou um lugar novo para morar (esse, sim, um drama muito mais velho que esse blog) que nem me atinei a esse meu calendário comemorativo.

Costumo encarar meus esquecimentos como algo um tanto preocupante, talvez um indício de que minha memória, sempre tão boa, não seja mais invejável e que a idade está à espreita. Paranoias à parte, porém, eu gostei de ter cometido essa “falha”.

Mais do que festejos de dois anos da formatura que, por si só, não dizem nada – visto que até a obrigatoriedade do diploma nos disse adeus -, me alegro com os avanços que tive nesse aparentemente curto período. Foi difícil, mas consegui deixar a cidade onde eu vivia e as pessoas que importavam para tentar salvar algo que valesse a pena em mim. No meu exemplo favorito, que meus amigos (principalmente os botequeiros) já conhecem, eu ouvia o despertador pela manhã, nos meus últimos dias em Porto Alegre, e lamentava que mais um dia começasse.

Foi em busca de mim mesma que eu decidi me encontrar na cidade onde, teoricamente, as pessoas se perdem. Por sorte, não me perdi, nem ao menos fisicamente. Ao contrário, em uma metrópole tão gigante eu fui obrigada a olhar para o espelho de verdade, como nunca havia olhado. Na solidão, eu descobri que posso ser minha amiga. Que eu posso contar comigo e me fazer companhia. Rir do que eu fizer de errado e torcer intimamente para que amanhã tudo dê certo.

Ao mesmo tempo em que aprendi a ser sozinha, aprendi também a olhar mais para o meu lado. Os colegas da faculdade e os conhecidos de vista ficaram para trás, aqueles para quem só se dá oi no corredor ou na rua. Esses fizeram parte da minha vida, mas de um trecho que acabou. Eu levo, agora, apenas aqueles que são especiais e outros que por sorte fui colhendo pelo caminho, que gostam da gente sem qualquer obrigação. Só pelo prazer de compartilhar nem que seja uma risada.

Acho que não me tornei a grande repórter que gostaria, pelo menos não por enquanto. Esse sempre foi meu maior sonho, e nem me considero mais uma recém-formada para justificar possíveis fracassos. Decerto não fiz o caminho que muitos esperavam de mim, “brilhando” nos grandes meios, disputando vagas no “mercado” competitivo de São Paulo. A esses certamente não agradei. Mas fiz a minha escolha e acho que estou fazendo a coisa certa e no lugar certo, no momento.

Em resumo, acho que estou onde devia estar, e isso é um grande conforto. Não sei como estarei daqui a três anos, no terceiro aniversário de formatura, mas espero estar disposta e forte como me sinto agora. Como dizia o Freddy Mercurie há dois anos, lá no Salão de Atos da Ufrgs, I want to break free. Eu também.

4 comentários:

natusch disse...

Creio que o melhor sentimento seja esse mesmo, Pati: o de estar fazendo a coisa certa, mesmo que por linhas tortas. Sentir o chamado do mundo e ir atrás dele, sabe? Estamos, todos os que se formaram naquele já bem distante 22 de fevereiro de 2008, construindo nossos próprios caminhos. Alguns pegaram caminhos mais calmos, seguros, bem sinalizados; outros, como nós, resolveram acreditar na longa estrada, andar no asfalto ou no chão batido em busca daquilo que faz a vida ter algum sentido no fim das contas. Cada um terá que viver com suas escolhas - e acho que estamos escolhendo bem ^^

E vou confessar: se tu não tivesse me lembrado da data, teria com certeza passado batida para mim, hehehe....

Paula disse...

Isso me lembra um pouco das conversas renânicas sobre vencer, fraudes, pessoas do bem e do mal e etc... No fim, que que isso importa? O negócio é a gente ser fiel a gente e ser feliz. Fazer alguma coisa que mude o mundinho e que dê uma sensação boa na hora de dormir e faça a gente ter vontade de acordar pra continuar.
By the way, parabéns aos dois pelo pseudoaniver!

Juliano Tatsch disse...

Bah, me lembrei da data em janeiro, pensei que era 22 de janeiro e acabei esquecendo-me em fevereiro. Enfim, fui um dos que tomei um caminho diferente de ti e do Ígor. E, sinceramente, digo que todos os caminhos tem suas paisagens bonitas, basta saber olhá-las. Quero dizer que, nesses dois anos, notei claramente que os problemas (os principais, pelo menos) não estão nos caminhos trilhados e sim nas pessoas. É possível encontrar beleza até na paisagem mais monótona e cinza. Basta querer.

PS: Natusch sabe como admiro vocês dois. E a Paula ali em cima também. Todos os três pela coragem e pelo constante movimento. Abrçs e bjs.

PAULA SALOMÃO disse...

Pat, o mais importante desse tempo pós-formatura é o nosso encaixe no meio em que realmente queremos estar. Incluo-me nessa também, pois me considero vencedora por estar trabalahndo na área, frente a tantos colegas, mesmo aqueles que apenas passavam por nós nos corredores, que nem isso conseguiram. Por isso tu já é uma vencedora (e também por conseguir não se perder em São Paulo!).

P.S.: Pode crer que eu participo do grupo daqueles que gostam de ti sem qualquer obrigação!

beijão