1.7.10

os mendigos

Surge então a questão “Por que se despreza os mendigos?”... Pois de fato são desprezados, universalmente. Acredito que seja apenas porque não levem uma vida decente. Na prática, ninguém quer saber se o trabalho é útil ou inútil, produtivo ou parasitário, o único requisito é que seja lucrativo. Qual o sentido que há nas discussões modernas sobre a energia, a eficiência, o serviço social e coisas do gênero, senão “Ganhe dinheiro, ganhe-o legalmente e muito¿”. O dinheiro tornou-se a grande prova da virtude. Nesta prova os mendigos são reprovados, e por isso são desprezados. Se se conseguisse ganhar dez libras por semana mendigando, a mendicância se tornaria imediatamente uma profissão respeitável. Um mendigo, observado do ponto de vista realista, é simplesmente um homem de negócios que tenta ganhar a vida, como outros homens de negócios, do jeito que der. Não vendeu a honra, não mais do que a maioria dos homens modernos. Simplesmente cometeu o erro de escolher um negócio no qual é impossível enriquecer.

(George Orwell, Na Pior em Paris e em Londres)

Terminei de ler ontem. Livro fantástico. Dos tempos em que George Orwell viveu nas ruas, pensões baratas e albergues de Paris e Londres, nos anos 20.

Dá uma vontade monstra de sair caminhando pelas duas cidades, encontrando todos os cantinhos ou o que sobrou do que ele descreve. E dá uma vontade imensa de ser jornalista também.

Um comentário:

Paula disse...

Precisando muito da vontade imensa de ser journalista...