Ontem foi o último dia de circulação do Jornal da Tarde aqui em São Paulo. Depois de 46 anos, a publicação deixou de rodar por decisão do grupo Estado, que admitiu, por meio de palavras bonitas, que a coisa tá feia para os lados da imprensa.
A pedido de um amigo de Porto Alegre, comprei uns exemplares e enviei para lá, onde o jornal não circulava. À noite, com calma, dei uma olhada nas páginas. Mesmo sendo um jornal da mídia corporativa, dá tristeza ver o fim de algo que foi importante para o jornalismo.
Enquanto lia sobre a história do jornal e da sua inovação na questão gráfica, lamentei não ter me dedicado mais nas aulas de história da imprensa da faculdade. Mas em seguida me dei conta que: a) as aulas eram chatas demais; b) eu lia todos os textos, mas faltava a vivência em redação para entender a importância de muitas coisas.
No meio de tudo, o que mais me chamou a atenção foi uma foto da redação, de 1970. Gente com cigarro, com cara de beberrona, boêmia e outras coisas que, dizem as boas línguas, marcou essa geração.
É chocante o contraste com as fotos de redações atuais que, volta e meia, vejo por aí. Só gente bonita, jovem, descolada, higienizada, apolítica.
Não acredito que seja só o visual que tenha mudado. Qualquer conversa com amigos mais velhos dão a entender que algo mudou, sim. Não tenho idade nem experiência para dizer o que mudou, nem quando, mas só essa constatação é suficiente para me deixar um tanto melancólica.
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