7.12.12

o fórum

Daí que o útil e o agradável nunca andaram tão juntos na minha vida como semana passada. Surgiu uma vaga para cobrir o Fórum Social Mundial da Palestina em Porto Alegre e eu, com saudades da cidade e interessada no assunto, logo me candidatei animadamente.

Foi a minha primeira cobertura de FSM. Não direi que é a última, mas pensarei bem antes de aceitar outra empreitada dessas. É cansativo, menos organizado do que deveria e costumar ser na capital dos pampas no verão, quer dizer, é quente.

Mas valeu muito a experiência. Nem sei dizer do que mais gostei, se foi passar quatro dias vagando para cima e para baixo por Porto Alegre, ouvir tanta gente falando árabe ao mesmo tempo ou me juntar à causa palestina, uma das demandas mais urgentes e justas da humanidade há tempos.

Mas uma coisa é certa. O melhor momento de todos foi a Marcha do Fórum.


Umas dez mil pessoas se juntaram para dizer que os palestinos TÊM que ter e VÃO ter seu Estado. Em um ponto da caminhada era a galera de Porto Alegre embalando um sambão; metros atrás, os palestinos entoando com toda a força umas músicas árabes – pareciam hinos, não descobri o que era.




Depois, no caminhão de som já no Gasômetro, em muitas línguas, todo mundo saudava a decisão da Assembleia Geral da ONU, que reconheceu o Estado palestino. Obviamente, o discurso mais tocante era dos árabes. Nem só por serem os diretamente envolvidos, mas porque a língua árabe é, de longe, a mais forte de todas. Que lindo é povo árabe. Que gente fascinante.

Não sou de me empolgar fácil com mobilizações políticas, mas essa me ganhou. Terminei a caminhada fazendo umas entrevistas, dando uma banda no Gasômetro – mais inspirador impossível, comendo um sanduíche delícia de falafel e com a bandeirinha da Palestina pendurada na mochila. 



É daquelas raras horas que a gente agradece estar onde está e se vê um pouquinho parte da história. O autorretrato foi no dia seguinte, mas serviu para registrar a passagem :)




Mais fotos e tentativas fotográficas no meu Flickr.

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