24.7.13

lembranças do frio

Jurei que não haveria inverno esse ano em São Paulo. Não que haja grandes frios, mas sempre faz uma semaninha, pelo menos, de vento mais gelado, quando dá para tirar os casacos mais pesados do armário e desfilar se sentindo uma ~europeia~ por aí.

Depois de um domingo calorento e mangas curtas, o frio chegou. Não na intensidade do Sul, obviamente, mas veio. Arrisco a dizer que essa madrugada foi a mais fria desde que moro aqui.

Imagem: Pinterest

Já fui mais fã de frio, assim como odiei o calor com todas as minhas forças. Hoje vou rumo ao meio-termo. Gosto de dias quentes, mas que não me façam derreter; assim como gosto de dias frios, bem frios até, mas não os aguento por muito tempo. Confesso que nesse sentido é um alívio morar em um lugar como São Paulo, onde inverno e verão costumam ser agradáveis (exceto pela parte das chuvas no início do ano).

Mas é nos dias frios em que eu mais sinto falta de Farroupilha. Mais especificamente da minha casa. Deve ser porque meias lembram meias de lã, e meias de lã lembram conselhos da minha mãe, pedindo para colocar uma antes que os pés congelassem. Ou uma água para fazer um chá, que me recorda o fogão a lenha e o meu pai colocando pinhões naqueles domingos frios e de cerração fechada. Sem falar da fumaça do fogão saindo pela chaminé da minha vó...

A cada blusa de malha que eu tiro do guarda-roupa vem junto um turbilhão de sensações e recordações. Nos dias frios é que me sinto mais farroupilhense, como se lembrasse exatamente da minha origem. Como se voltasse para casa. Como se eu me encontrasse. Como se tudo finalmente fizesse sentido.

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