24.12.14

what a crazy year

Tenho andado totalmente distante daqui desde que cheguei à Irlanda, mas falta motivação pra escrever e, quanto menos português, melhor. Fim do ano, porém, me lembrou das duas retrospectivas que publiquei em anos passados. 2014 foi um ano louco, louquíssimo, daqueles ideais para avaliar o que deu certo, o que deu errado e o que simplesmente aconteceu.

Coisas boas:
1. Finalmente meu intercâmbio virou realidade. Depois de uns três anos planejando, pensando e juntando dinheiro, em abril embarquei no primeiro avião em Porto Alegre para desembarcar na diva Paris e, por fim, conhecer Dublin, o lugar que seria minha casa a partir de então durante pelo menos um ano.
2. Meu objetivo número 1 era melhorar o inglês, o que aconteceu com louvores à minha pessoa. Cheguei no nível Upper Intermediate (depois de estudar sozinha por eras) e em apenas um mês e meio passei para o nível Advanced. Exames, que eram algo que eu só sabia de ouvir falar, viraram um objetivo concreto para os próximos tempos. Sem falar que recebi uma caralhada de elogios pelo meu inglês, tanto de falantes nativos do inglês como não nativos. Ouvi mais de uma pessoa dizer que gostaria de ter um inglês como o meu :)
3. Depois de todos os estresses passados com meu trabalho em 2013, todas as pendências foram finalmente resolvidas, o que me rendeu recursos mais do que consideráveis para viver na Irlanda sem precisar de um trabalho.
4. Provei a mim mesma que posso me adaptar facilmente à vida em outro país. Eu diria que estranhei as duas primeiras semanas. A partir da terceira já me sentia em casa. Nesse sentido, dou um crédito à cidade de São Paulo, que me ensinou tudo relacionado à vida em cidade grande.
5. Melhorei minha autoestima. Sempre imaginei que ninguém prestaria atenção em mim na Europa - tem mulheres lindíssimas em cada esquina, loiras e olhos azuis e ainda altas -, mas descobri que, de repente, até eu posso fazer algum sucesso nestas bandas. Também melhorei minha autoestima em todos os aspectos. Muita gente mostrou respeito com minha profissão, com meu trabalho focado em Direitos Humanos no Brasil e até com o fato de eu falar quatro idiomas (incluindo meu ainda pobre árabe).
6. Fiz amigos maravilhosos e de todas as partes do globo. Fiz zilhões de conhecidos também, mas tenho um punhado de gente que levarei no meu coração forever.
7. O muro que eu mantinha em volta de mim, me "protegendo" de eventuais relações afetivas e suas dores, caiu. Se caiu ou foi derrubado, pouco importa.
8. Eu viajei. Rolei pela Irlanda (não tanto como gostaria, mas os dias foram incríveis) e ainda fui parar no Reino Unido, Portugal e Espanha. Os 29 dias, se não os mais felizes, os mais bem aproveitados de toda a minha vida. Aprendi que posso ser uma grande mochileira - pelo menos nesses países, vamos ver nos próximos :P Sem falar que conheci vários lugares lindos ao redor de Dublin, especialmente durante o verão, o que me deixa com aquele sentimento de ter curtido a vizinhança
9. Aprendi tanto que nem lembro bem como era eu antes de vir para a Irlanda.
10. Tenho alguns planos para quando voltar ao Brasil, para o futuro. Nada muito específico, nada muito importante, apenas ideias, aspirações. Estudar fotografia talvez, estudar espanhol, tornar viajar meu verbo principal... Estou mais propensa a deixar a vida me levar, como diz a música,
11. Fotografei muito, apesar de (ainda) não ter uma câmera legal.

Coisas ruins
1. O que era para ser uma relação boba e saudável se transformou em algo péssimo para mim. É terrível quando se confia em alguém que não respeita os sentimentos da gente. Se algo deve ficar de tudo o que passou, é o aprendizado de que alguém que te deixa doente não serve pra ti, independente de qualquer sentimento.
2. Apesar de meus pais terem Internet em casa e minha vó um telefone fixo, eu falei muito pouco com eles durante o ano. Foi vergonhoso. A diferença de tempo atrapalhou, mas teve aí um componente de desorganização e meu ânimo oscilante durante o ano.
3. Não me adaptei a Dublin. Desde meu primeiro dia na cidade tenho a impressão de que não nascemos uma para a outra. Não é exatamente uma cidade pequena, mas é um ovo se comparada à linda Pauliceia Desvairada. Gosto mesmo dos lugares próximos, belas prainhas, mas a cidade em si não ganhou meu coração.
4. Assim como em outros anos, percebi que perdi a calma em diversas situações e preciso trabalhar meu autocontrole. A ansiedade ficou em níveis altíssimos também, o que me deixa com uma sensação de esgotamento no final do ano.
5. Parei de fazer exercícios por uma série de razões - tempo instável demais em Dublin, falta de roupas adequadas, falta de rotina, falta de ânimo. Noto que me faz uma falta danada e, com certeza, contribui para aumentar minha ansiedade.
6. Não li sequer um livro na Irlanda desde que cheguei. Comecei um, parei, cheguei a comprar outro em Londres mas a verdade é: não tenho vontade. Pretendo tirar o atrasado quando chegar ao Brasil.
7. Tenho a desconfortável impressão de que não aproveitei o intercâmbio como deveria ter aproveitado. Talvez no futuro essa sensação mude, mas por ora o que fica é um feeling de frustração.
8. Depois de anos parcialmente adormecidos, alguns sintomas de depressão vieram à tona em Dublin, especialmente depois de terminar minhas aulas e durante o inverno, quando escurece às quatro da tarde. Angústia foi uma constante.
9. Não me aventurei na cozinha como em 2013. Faltou motivação (e também produtos frescos nos mercados, que são entupidos de produtos industrializados).
10. Termino o ano altamente confusa e com um sentimento de estar perdida em alto mar, meio que alheia ao mundo real. Coloquei como um ponto negativo do ano, com esperanças de que se transforme em algo positivo em 2015.

A avaliação do meu ano, obviamente, centrou-se na minha vida irlandesa, que ocupou oito meses desse 2014. Como comentei com uma amiga um dia, vivi uma quantidade tão insana de coisas novas que acredito que só serei capaz de pensar melhor sobre tudo daqui a algum tempo. Considero que ainda estou no olho do furacão. Para simplificar, de bom eu considero todas as paisagens e pessoas que conheci, como a oportunidade de olhar a vida de um jeito diferente. De ruim, meu coração ter se encantado com alguém que não estava nem um pouco interessado nele.  Mas não culpo meu coração, coitadinho, afinal de contas ele foi a única coisa honesta em tudo isso. Só espero que ele ainda encontre, um dia, motivos para sorrir, bobamente, do mesmo jeito como tantas vezes sorriu em Dublin.

2 comentários:

Paula disse...

Acho que rola colocar uma Elis de fundo. "Vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, aprendendo a jogar."E aprendendo. Sempre. :)

Paula disse...

Acho que dava para colocar uma Elis de fundo. "Vivendo e aprendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, aprendendo a jogar:. E aprendendo sempre. :)