29.12.16

Um ano tão difícil

Não lembro de um ano que tenha terminado de forma tão desanimadora quanto esse 2016. Parece que foi notícia e coisa ruim do início ao fim.

Eu não diria que foi o pior ano da minha vida porque houve alguns momentos muito bons, mas certamente foi um dos mais difíceis. Em geral daqueles em que se precisa de uma dose enorme de coragem pra sair da cama pela manhã.

Quis fazer novamente aquela “retrospectiva pática” pra refletir um pouco sobre o que passou e projetar meu 2017 a partir do que esses últimos 12 meses me ensinaram. Here we go:

Coisas Boas

1. Finalmente fiz a prova de Cambridge. Foram dois anos de procrastinação até as tais “condições ideais” surgirem. Se passamos ou não é assunto para 2017, mas saiu um peso dos ombros por colocar no presente essa promessa tão longa. Em função disso estudei inglês loucamente e acredito que meu nível nunca foi tão bom quanto agora.
2. Juntei muito mais dinheiro que imaginava no início do ano. Comecei o ano quebradínea financeiramente, e a grande meta era pagar as contas com tranquilidade e economizar uma coisinha mensalmente.  Nesse aspecto o ano saiu melhor que encomenda.
3. Fiz seis cursos online. SEIS. Um de Direito Americano (que poderá servir para Inglês Jurídico se um dia algo assim se concretizar), um de jornalismo e quatro de English Teaching. Foi o ano de definitivamente morrer de amor pelo universo do ensino online. Tudo de graça, feito em casa, de pijama, sem colegas malas, esquematizado pra gente acompanhar no nosso ritmo. Sem palavras pra essa maravilha.
4. Passei pela experiência profissional mais difícil até hoje e me orgulho do fato de não ter desistido no início, como era minha vontade. Alguns conselhos e muitas reflexões me fizeram continuar e superar meus próprios limites. Acreditei em mim e decidi parar quando achei que era o momento certo. Eu fui muito forte, outra vez, em todas as etapas.
5. Não deu pra fazer grandes viagens, apesar de ter planejado algumas, mas fiz umas viagens curtíssimas que deram uma nova perspectiva sobre o ato de explorar o mundo e os nossos arredores. Um final de semana entre Paranapiacaba e Embu das Artes, no meio do ano, me deu motivos pra sorrir e lembrar que a estrada está aí pra nos fazer feliz. Eu já viajei pra tantos países mas nunca havia conhecido essas cidades, além de Santana de Parnaíba e Pirapora de Bom Jesus, que são pequenas mas adoráveis em suas cores e peculiaridades.
6. Minha intenção era iniciar meditação, não deu, mas ainda assim desenvolvi mais meu desapego e minha capacidade de viver o momento presente. Menos coisas, mais experiências. Também esclareci alguns pontos importantes sobre mim, principalmente sobre minha assexualidade, e isso me dá tranquilidade enorme pra eu continuar sendo eu mesma.
7. Apesar de não ter estudado espanhol como deveria, termino o ano com um excelente nível para alguém que nunca se dedicou a isso seriamente. O fato de morar com nativos da língua, frequentar grupos de idiomas e estar em contato durante meses no trabalho fez toda a diferença. Aliás, já estou matriculada para um curso online sobre e pretendo doar muito do meu primeiro semestre à “causa” de alcançar um nível intermediário consistente, especialmente em termos de vocabulário.
8. Termino o ano com menos expectativas em relação ao ano que começa e algo me diz que isso é bom. Porque todas as vezes em que eu tento fazer algo “bonitinho” sai tudo esculhambado, o que quase me leva a crer que o caos é parte integrante de mim (senão do universo).
9. Dei aulas de inglês de forma quase contínua. Apenas parei no final do ano porque uma aluna teve bebê. Aprendi muito sobre ensino da língua e engordei o cofrinho graças às aulas – pra não dizer que teve função terapêutica em momentos bem difíceis do ano. Sinto prazer em poder ajudar alguém a entender algo novo.
10. Um fantasma de Dublin, ao que parece, perde sua força. Foi apenas um unfriend no Facebook, nada muito planejado, mas era um passo importante e doloroso que precisava ser dado. E finalmente foi. Essa lembrança ainda me machuca mais do que deveria, mas apenas o tempo pode me ajudar a partir de agora.

Coisas ruins

1. Tive o trabalho mais frustrante da minha vida e foi uma sucessão de tristezas. Eu realmente achei que seria legal, uma oportunidade de voltar ao jornalismo no chamado grande estilo, mas não deu certo. No geral foi um fracasso e, exceto pela parte financeira, um atraso de vida, já que eu deixei alunos e turma que me empolgavam bastante para me dedicar integralmente. Ultimamente encaro o que houve como algo para testar minha força e resistência.
2. Li poucos livros. Comprei vários, mas faltou motivação pra ler. Eu não me culpo, porém. Quando der vontade eu leio, como estou fazendo nesses dias de interior e descanso.
3. Não escrevi o quanto gostaria de ter escrito. Criei um blog em inglês para relatar minhas experiências overseas, mas raramente escrevo. Diria que faltou tempo e saco de passar ainda mais tempo na frente do computador.
4. Termino o ano muito perdida em relação a qual caminho seguir e me sinto sozinha também, talvez mais do que nunca. Tem horas em que me sinto corajosa, no entanto muitas vezes dá um medo gigante do futuro, que parece um bicho papão.
5. Tive mais momentos de depressão do que imaginava, especialmente por causa do trabalho. Achei que estaria indo em direção a um poço sem fundo e cogitei buscar ajuda profissional. A correria do dia a dia me fez desistir, assim como a perda do plano de saúde após a demissão.
6. Recomecei a fazer atividade física, mas de forma muito inconstante. Parei por meses e mesmo nos últimos tempos, quando sobrava uma horinha no final do dia, cheguei a passar duas semanas sem colocar os tênis para dar minha caminhada na vizinhança. Nas vezes em que fui foi mais motivada por dores causadas pelo sedentarismo do que por questão de consciência mesmo.
7. Tinha planos de estudar árabe e não consegui nem ao menos pegar os livros este ano. Me dediquei a mil coisas, então a falta de tempo foi um fator, mas sinto saudades desse tipo de estudo e empurro a meta para 2017.
8. Eu deveria, talvez, estar mais aberta à vida e às pessoas e aos amores, mas acho que as minhas experiências me levaram a um ponto em que eu perdi a vontade e a crença de que existe alguém legal no fim do arco-íris. Talvez um dia esse sentimento ruim passe.
9. Uma aluna, a primeira que tive, não quis mais ter aulas comigo. Apesar de saber que ela tem um histórico difícil e nunca se dedicou, o episódio me decepcionou.
10. Uma das escolas para quem dei aulas decidiu encerrar meu contrato por falta de alunos, supostamente, o que faz sentido em tempos de crise. Na prática não faz grande diferença na minha vida, mas eu contava tirar algum rendimento dali no ano que viria.

Foi um ano em que muitas coisas aconteceram, mais boas do que ruins na média – fiz a bendita prova de proficiência, conheci uns lugares pitorescos, juntei dinheiro, foi mais forte do que supunha. Sobrevivi. A parte negativa fica por conta da expectativa que não se concretizou, caso que eu resumo como uma grande frustração que já acabou.

Pra 2017, eu não quero resoluções, mas vou traçar algumas diretrizes, como fiz em 2016. Acho que a grande questão é descobrir qual o próximo passo a tomar. Talvez eu já saiba, mas preciso ainda pensar. Daí é tomar coragem e seguir. Porque no fim a vida é isso, life is movement, e a gente não pode parar.


Nenhum comentário: