3.4.07

Vênus

Vênus é um filme que eu definiria quase minha cara. Cheio de lacunas, com dúvidas saídas da tela, personagens complexos e sensíveis. Possíveis histórias e versões cinematográficas anteriores não tiram o mérito do filme, em uma indústria cinematográfica obcecada pelo novo e pretensamente original.
Parece absurdo, de início, que um homem como Maurice vá se apaixonar por uma "jeca" grosseira do interior como Jessie. Mas ao longo da projeção, o absurdo cai por terrra. E o fato de Maurice encantar-se com sua Vênus se mostra tão misterioso e tocante que procurar uma razão se transforma em algo sem sentido. Não precisava, depois de Lawrence da Arábia, de mais nada pra provar que Peter O'Toole é um excelente ator. E, durante Vênus, ele mostra um Maurice sensível, inesquecível, poético. Já Jodie Whittaker constrói uma menina enigmática e incompreensível, que mostra beleza e sensualidade sem precisar da cara da Angelina Jolie. E o velho Ian de Leslie Phillips traz nos olhos de seu personagem o que diálogo nenhum poderia arrancar.
Vênus é um filme sobre a juventude e a velhice, sobre a singularidade do instante. E do quanto é difícil definir, mensurar ou categorizar qualquer forma de sentimento. Vênus é uma das pequenas obras-primas sentimentais que eu pude ver/sentir nos últimos tempos. E num embate otimismo x pessimismo, ainda fico com a primeira opção pra ele.

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