24.5.10

velho e bom woody allen

E eis que descubro que o passar do tempo não torna todas as coisas piores. E nem melhores. Às vezes permanecem como são. Com o Woody Allen parece ser assim, pelo menos.

Havia me decepcionado com Vicky Cristina Barcelona e prometido não ver mais seus filmes tão cedo. Mas graças a uma promoção do shopping do tipo “compras acima de tantos reais valem um ingresso” (no caso um desconto, já que estamos na muquirana São Paulo), fui assistir hoje a Tudo pode dar certo, a última comédia do diretor.

É a historia de Boris Yellnikoff (Larry David), um velhinho rabugento, quase ganhador de um Nobel, especialista em mecânica quântica e professor de xadrez que se envolve com a interiorana Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), do tipo “loirinha e burrinha”, com com mente e hábitos totalmente opostos.


Já havia lido alguns elogios em sites e revistas, por isso gostar do filme não foi surpresa total. O que me espantou foi ter gostado muito. Lembrou trabalhos mais antigos como Poderosa Afrodite, Manhattan e mesmo Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, meu preferido. Ótimos diálogos, cenas engraçadas e personagens beirando o histérico e o esquizofrênico. Exatamente como gostam os fãs do diretor. Poderia considerar frustrante ir ao cinema ver um filme em um formato já conhecido, mas tenho tendência a admirar as pessoas que fazem bem o que sabem. E gosto do Woody Allen por isso.

Acredito que a melhor atração é mesmo Larry David, que se sai muito bem como o velhinho rabugento. Ver um filme de Woody Allen com um ator representando seus antigos papéis foi até um desafio pra mim, que sempre considerei aquela figura caricata e até óbvia a melhor coisa nos seus filmes. No fim das contas, gostei da construção do Larry David, que deixou o personagem, digamos, mais factível.

Tudo pode dar certo, sem dúvida, foi a melhor escolha a ser feita em uma noite de segunda. Dia, aliás, que nos proporciona prazeres como uma sala de cinema quase vazia, sensação quase comparável a de um museu vazio. Extravagâncias e manias que me fazem, com medo, perceber semelhanças entre minha pessoa e os neuróticos personagens do Woody Allen... Afinal eu também sou às vezes meio excêntrica, vivendo um tanto isolada em uma grande cidade, tão cheia de histórias e de pessoas...

Nenhum comentário: