Havia me decepcionado com Vicky Cristina Barcelona e prometido não ver mais seus filmes tão cedo. Mas graças a uma promoção do shopping do tipo “compras acima de tantos reais valem um ingresso” (no caso um desconto, já que estamos na muquirana São Paulo), fui assistir hoje a Tudo pode dar certo, a última comédia do diretor.
É a historia de Boris Yellnikoff (Larry David), um velhinho rabugento, quase ganhador de um Nobel, especialista em mecânica quântica e professor de xadrez que se envolve com a interiorana Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), do tipo “loirinha e burrinha”, com com mente e hábitos totalmente opostos.

Já havia lido alguns elogios em sites e revistas, por isso gostar do filme não foi surpresa total. O que me espantou foi ter gostado muito. Lembrou trabalhos mais antigos como Poderosa Afrodite, Manhattan e mesmo Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, meu preferido. Ótimos diálogos, cenas engraçadas e personagens beirando o histérico e o esquizofrênico. Exatamente como gostam os fãs do diretor. Poderia considerar frustrante ir ao cinema ver um filme em um formato já conhecido, mas tenho tendência a admirar as pessoas que fazem bem o que sabem. E gosto do Woody Allen por isso.
Acredito que a melhor atração é mesmo Larry David, que se sai muito bem como o velhinho rabugento. Ver um filme de Woody Allen com um ator representando seus antigos papéis foi até um desafio pra mim, que sempre considerei aquela figura caricata e até óbvia a melhor coisa nos seus filmes. No fim das contas, gostei da construção do Larry David, que deixou o personagem, digamos, mais factível.
Tudo pode dar certo, sem dúvida, foi a melhor escolha a ser feita em uma noite de segunda. Dia, aliás, que nos proporciona prazeres como uma sala de cinema quase vazia, sensação quase comparável a de um museu vazio. Extravagâncias e manias que me fazem, com medo, perceber semelhanças entre minha pessoa e os neuróticos personagens do Woody Allen... Afinal eu também sou às vezes meio excêntrica, vivendo um tanto isolada em uma grande cidade, tão cheia de histórias e de pessoas...
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