1.6.10

um novo ciclo

Quando eu ainda não tinha dez anos queria ter dez, completar logo as duas mãos com aniversários já feitos. Quando eu era pequena e estudava de tarde queria estudar de manhã, com o pessoal mais velho. Quando eu passei pra manhã, ainda no primeiro grau, não via a hora de passar para o segundo. Devia ser bem mais interessante. Quando alcancei o segundo grau, tudo era mesmo mais divertido, mas com o tempo eu passei a invejar as meninas que, pela manhã, encontrava esperando o ônibus pra ir à faculdade.

Queria então entrar na universidade. Até que entrei. E os primeiros semestres, tão chatos, só me faziam querer avançar naquele curso para aprender tudo de uma vez pra ser repórter. Nos últimos anos, eu só queria o final. Quando acabou, eu já estava de pensamento pronto pra, enfim, abandonar mais uma cidade e me tocar pra São Paulo, como planejava desde criança.

Eu fiz tudo isso. Desde há muito faço planos pra minha vida e, com sorte e vencendo os apuros, consegui quase tudo o que eu queria.

Hoje¿ Eu não tenho mais planos, pelo menos nenhum tão ao alcance, que possa apontar claramente com a mão. Não me cobro um mestrado ou outra graduação, não me cobro a reportagem ideal e nem uma viagem libertadora. Pode ser que aconteçam, mas eu não dependo mais dessas coisas pra ir adiante.

E, em vez de achar ruim, eu tenho achado muito bom. Viver mais devagar e querer, a cada dia, aprender e me divertir nem que seja um pouquinho.

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