Começando pelas positividades:
1. Viajei muito – foram quase 15 países em apenas três meses. Incontáveis cidades e infinitas sensações de passar por lugares como Paris, Roma, Amsterdam e Veneza, que até então só existiam na minha imaginação.
2. Voltei a estudar espanhol. E a resolução aconteceu de forma rápida, uma semana após voltar de Dublin. O processo teve altos e baixos, mas cheguei no final do ano perfeitamente capaz de engatar uma conversa em nível – dizem – já avançado.
3. Incomodava o fato de não saber fazer nada – nadica de nada – além de jornalismo. Pois a necessidade se aliou a esse estranho desejo e comecei a dar aulas de inglês. Right now não sei qual será o futuro disso, mas sinto que precisava ter saído dessa zona de conforto.
4. De participante assídua de grupos de conversação em Dublin e depois em São Paulo, acabei virando organizadora de um. O Clube Poliglota foi um turbilhão na minha rotina e até na minha personalidade. De pessoa tímida e introvertida tive que incorporar a host que vai lá e fala com todo mundo. Uma mudança daquelas.
5. Depois de um hiato voltei a morar em São Paulo, cidade que segue suprema como diva no meu coração. É pisar lá que tudo fica melhor.
6. Passei o ano de 2014 me debatendo em dúvidas e questões existenciais. Elas estão longe de solucionadas, mas sinto que aprendi várias coisas que me dão segurança pra viver a vida que eu sempre quis. É como um quebra-cabeça que se encaixa aos pouquinhos. Em outras palavras, aprender a Tocar o Foda-se é preciso e eu sinto que essa lição vai de vento em popa.
7. Fiz muitos amigos, desde a Irlanda até São Paulo. Um mar de gente legal entrou na minha vida e São Paulo, que sempre representou um pouco de solidão, vai virando a terra de meus muitos e novos amigos.
8. Criei um blog em inglês para retratar parte das viagens que fiz pela Europa e para treinar a escrita em inglês. Está um tanto abandonado nos últimos meses, mas quero escrever regularmente no ano que vem. A Little Refuge vai ser um repositório das memórias páticas na língua do Shakespeare.
9. Começo 2016 com alguns planos – uma futura viagem (e longa) pela América do Sul, estudar novas línguas, desbravar diferentes mundos... Algum tempo atrás era impossível começar um ano com qualquer projeto, por mínimo que fosse.
10. Depois de sofrências prolongadas em ambientes hostis, consegui um lugar incrível (e relativamente barato) pra morar em São Paulo. Quase tão bom quanto o milagre de ter morado naquela casa supimpa e com gente supimpa em Dublin. Até passei a acreditar mais na vida.
E as coisinhas que foram uma pedra no sapato - ou tênis, que combina mais comigo:
1. Tive muitos momentos de depressão. Deixar a Irlanda – um país onde eu já estava quase 100% adaptada – e me “readaptar” foram momentos muito difíceis. Talvez tenha sido ingênua por acreditar que seria mais simples. Ainda doi saber que existe um mar entre a Irlanda e euzinha.
2. Termino o ano tão perdida quanto comecei. Aquela sensação de que todos estão mais ou menos certos do que fazem enquanto a gente parece uma imensa e amorfa boia em alto mar.
3. Há anos não me via quebrada do ponto de vista financeiro. É uma experiência nova depois de anos acumulando dinheiro (que foi lindamente gasto na Europa, sem qualquer arrependimento). Mas não deixa de ser algo chato com que se preocupar, especialmente quando a gente opta por viver em cidades ridiculamente caras como São Paulo.
4. Voltei para o Brasil para trabalhar como jornalista e, devido às mil crises do mundo, acabaram os empregos para repórteres, é o que parece. Se tem sido bom e desafiador me embrenhar por novos caminhos, ainda não sei lidar com o fato de não mais ganhar a vida por meio do jornalismo. Algo a que se pensar seriamente no futuro.
5. Em Dublin, tive imensa sorte de morar em lugares muito legais. Em São Paulo, não bastassem todas as dificuldades do retorno eu ainda fui parar em duas casas que mais pareciam manicômios, com o agravante de que em hospícios de verdade os hóspedes devem ser bem mais legais. Foi o verdadeiro atraso de vida. Thank goodness tudo isso já passou.
6. Outra frustração foi o fato de a distância e o tempo não serem capazes de apagar algumas memórias que já deveriam estar mais fracas. Eu ainda sinto saudades de quem, na certa, nem lembra mais de mim.
7. Li poucos livros. Fiquei meses sem trabalhar, tempo que seria suficiente para ler muitos. Ao mesmo tempo, escrevi pouco. Falta de ânimo resume e talvez justifique.
8. Se por um lado me abri pra vida, por outro me fechei ainda mais em mim mesma. Pode ser que seja um momento, que a angústia mais forte passe.
9. Minha rotina de atividade física não resistiu às mudanças de cidade. Eu poderia culpar a falta de tempo, mas a verdade é que a esculhambação dos últimos tempos me impediu de calçar um par de tênis e caminhar pelo bairro. Alimentação também foi tudo, menos saudável.
10. Falando nisso, meus níveis de desorganização atingiram patamares poucas vezes registrados. Produtividade mandou beijos e passou longe em 2015.
Acho que o principal acontecimento desse ano foram as milhares de mudanças e reviravoltas na minha vida e, consequentemente, em mim. Oscilo momentos de otimismo com um desânimo incrível. Às vezes me sinto vazia, às vezes me sinto motivada para construir algo. O maior aprendizado do ano foi, de novo, que a vida é uma estrada. Cheia de curvas, imprevistos, tempestades e arco-íris. Aceitar tudo isso sem sucumbir, bem provável, seja o grande desafio pros próximos anos. A gente começa por 2016 mesmo, que já tá à espreita.
| Março, em Veneza - melhores dias do ano :) |
Nenhum comentário:
Postar um comentário