31.12.18

Um ano pra me sentir realizada




Única postagem no ano, mas eu adoro fazer e por isso vencemos a preguiça para estarmos aqui:

Coisas boas

1. Participei da construção do livro sobre van Emelen! Eu tinha um super sonho de colaborar em algum livro (porque enrolada como sei jamais escreveria, mesmo que me tivesse talento) e fiquei radiante quando fui convidada. Foi bastante cansativo mas esse acontecimento, por si só, faria de 2018 um ano mágico. Ir na Martins Fontes da Avenida Paulista e ver o livro com meu nominho na ficha técnica e nos agradecimentos ali, em meio a tantas obras magníficas.

2. Aprendi italiano! Concluí o nível básico da língua e comecei o livrro de Intermediário. Ainda não tive a experiência de usar o idioma pra conversar com alguém, mas pelo que me conheço e conheço de línguas não vou ter grandes problemas quando isso acontecer. Italiano estava na minha lista de "um dia/talvez" e me sinto incrível por ter cumprido esse objetivo em um ano.

3. Financeiramente o ano foi muito bom. Pela primeira vez consegui juntar dinheiro dando aulas, algo que me pareceria impossível quando comecei, há três anos. Apesar de alguns contratempos economizei legal.

4. Aos poucos a minha nova viagem foi se materializando. Cumpri passos importantes e deixei tudo o mais encaminhado possível para tirar do papel de vez esse objetivo em 2019. Não tem mais jeito, aí vamos nós!

5. Ganhei um amor inesperado, um amor que já rondava minha vida. A Pipoca, depois de ficar doente, resolveu me adotar e eu me deixei ser adotada. Pode parecer bobagem, mas uma gatinha tornou meus dias mais coloridos, quebrou certas resistências minhas e eu descobri que absolutamente amo ser mãe de bicho. Dure o quanto durar, a pimpolha já mora no meu coração pra sempre.

6. Li muito. Aliás, meu recorde recente. Foram 33 livros e mais uns dois dias eu fechava 2018 com 34 lidos. Pra quem passou anos lendo um ou dois, olha, que mudança.

7. Apesar de capenga, especialmente no segundo semestre, mantive atividade física e meditação. Pontos para melhorar, mas por ora considero algo bom do jeito que foi.

8. Esse ano me trouxe uma paz de espírito. Precisei me isolar de muitas coisas e de muitas pessoas pra descobrir o que é essencial pra mim. É como se eu tivesse finalmente me perdoado, me redescoberto, me aceitado.

9. Cresci muito profissionalmente esse ano. Ano passado já tinha aprendido que se não fosse atrás do meu ninguém iria por mim, e esse ano aprofundei essa filosofia. Era hora de me tornar mais responsável pelos meus negócios e eu fiz isso o quanto pude.

10. Por incrivel que pareça até irlandês eu consegui estudar um pouco esse ano. Faltou tempo pra ir além, mas gostei muito da louca aventura de tentar aprender esse idioma insano de tão difícil.

11. (bônus) Meu pai conseguiu se aposentar!

Coisas ruins

1. Pela primeira vez em muitos anos não fiz uma viagem sequer pra além de Farroupilha, pra onde gostaria, inclusive, de ter ido mais vezes. Mais falta de tempo do que de dinheiro, mas considero que esse ano foi bastante atípico.

2. Uma reforma infernal na minha casa que durou três fucking meses. Um milagre chegar ao fim desse período com sanidade. Com certeza eu poderia ter feito mais coisas não fosse a zona em casa, o barulho, a incapacidade total de se concentrar. Acho que eu merecia um troféu no fim das contas.

3. A Pipoca ficou doente em setembro e fora o medo de perdê-la o episódio foi estressante, foi muito estressante. E foi caro. Se das coisas ruins a gente tira um coisa boa foi que ela descobriu que me ama :) 

4. Não pude estudar inglês como gostaria e passei o ano me debatendo com metas que nem de perto consegui manter.

5. Tinha um projeto de manter meu nível de espanhol lendo livros de literatura clássica da Biblioteca Cervantes e tinha feito até um cronograma pra ler um por mês mas adivinha que nem consegui começar. Queria ter estudado marketing digital e me aprofundado em como dar aulas online. Não consegui. Aliás, meu sistema de organização pessoal mostrou que não comporta a minha desorganização e procrastinação de cada dia e várias coisinhas que eu podia ter feito pra completar alguns projetos não aconteceram. 

6. Meu blog em inglês ficou abandonado. Em português também, Isso me deixa bem triste. Escrevi algumas vezes pro Medium, mas foi uma fase meio temporária e eu sinto falta de algo mais “íntimo”, digamos, como um blog.

7. Minha avó sentiu mais dores no corpo esse ano e espero que isso não se alastre pro novo ano.

8. Minha rotina, de modo geral, foi esculhambada. Normalmente ela é bastante incerta pela natureza do meu trabalho, mas sinto que poderia ter sido bem melhor em termos de comer, dormir e afins. Talvez por isso tenha chegado em dezembro quase morta de tão cansada.

9. Tive uma tosse entre julho e agosto que me fez gastar dinheiro e me enervou até não poder mais.

10. Não dei a atenção que eu queria pros meus amigos, nem pra minha família.


Analisando meu ano com esse meu exercício eu vejo que não fiz taaaantas coisas, mas as que fiz foram grandes e signficativas, como editar o livro, aprender italiano e (pré)organizar a viagem. Junto com o meu trabalho isso tomou um tempo surreal e afetou todas as áreas da minha vida, como família, lazer (minhas sagradas viagens pros arredores de São Paulo) e até outros estudos. Porém, acho que consegui fazer o que era essencial, como sugere um livro que li dias atrás, e o que não fiz agora faço depois ou nunca mais, se sentir que não é o caso.

Não lembro de ter terminado um ano tão motivada pra começar o outro. Medo eu sinto sim, mas algo importante mudou em mim esse ano e tem a ver com o que eu coloquei no item 8 das coisas boas. É como se uma parte (ruim) de mim e da minha história estivesse ficando pra trás e algo bom estivesse renascendo no lugar.



Eu tenho apenas um grande objetivo em 2019 e não almejo mais que isso. Vai ser difícil, vai me dar milhares de dores de cabeça, mas ele precisa ir em frente. Algo me diz que daqui a um ano, quando eu escrever essa lista de novo, vai faltar espaço tanto pras coisas positivas quanto negativas. Agora é só esperar. E respirar. Porque o que tiver que acontecer vai acontecer :) 




30.12.17

Buscando o equilíbrio


Venho sofrendo da costumeira preguiça de recesso que me acomete nessa época do ano. Mas eu gosto e até preciso refletir um pouco sobre o ano, então decidi escrever meu já tradicional balancete de dezembro, com coisas boas e ruins que se passaram.

Coisas boas
1. Primeira notícia maravilhosa do ano foi: passei no CAE. Fiz o teste no final de 2016, mas o resultado só saiu último janeiro: 199 pontos, só um pontinho longe da proficiência. Até pensei em fazer o CPE este ano, mas seria necessário um planejamento grande e abrir mão de muitas outras coisas. Let it go, ao menos por ora.

2. Fiz 12 cursos online. DOZE. O dobro do ano passado. Nem eu acredito. Seis de espanhol (um programa integrado da Open University/Future Learn). Outro do  British Council (via Future Learn também) sobre aprendizado e ensino de línguas (uma contribuição enorme à minha formação). Três de Business English da Arizona State University na Coursera e dois de meditação de uma universidade australiana (também via FutureLearn, onde passei boa parte do tempo em 2017). Pra 2018 já estou matriculada em sete. Vamo que vamo.

3. Li 29 livros, do quais 27 inéditos. Ler pouco nos últimos anos era algo que me incomodava, quase me envergonhava e, principalmente, algo que me intrigava. O que houve com aquela pessoa que lia tanto? (eu no caso, um tempo atrás). Esse ano, em vez de esperar um horário ideal pra ler, eu enfiei ao menos um livro na bolsa ou na mochila e li no caminho. Passei hooooras em transporte público e foi ali que li quase tudo isso.

4. Trabalhei como instrutora de inglês o ano todo, um objetivo que eu tinha no início do ano. Tive um feedback maravilhoso de alguns alunos e, embora não esteja decidida que quero me focar só nisso, me parece um futuro interessante. Comecei dando aula em uma consultoria e terminei com duas, depois de procurar novas parcerias no segundo semestre.

5. A possibilidade de uma viagem, em médio prazo, que pode desencadear a realização de vários sonhos. Nada está definido ainda, por isso sem mais detalhes. Digo apenas que sacudiu minha cabeça igual a um terremoto.

6. Mantive atividade física o ano todinho. Caminhando perto de casa, no condomínio ou no instituto Butantam, não consegui fazer todo dia, mas coloquei como prioridade e saí com esse fim ao menos três vezes por semana. O resto que espere que vou dar minha caminhada. Ainda tento colocar o alongamento como uma atividade diária (não me toma dez minutos), mas a preguiça é desgraçada.

7. Comecei, ainda bem timidamente, a fazer meditação, a partir de dois cursos muito legais no FutureLearn. Era algo que eu queria há anos e que, graças às formações, consegui tirar do papel. Me identifiquei 100% com o conteúdo do programa e já via benefícios após as primeiras práticas.

8. Aprendi a me preservar mais, assim como a meus sentimentos, e uma consequência foi me fechar mais e me afastar de algumas pessoas. Mas vejo um lado bastante positivo nisso. Eu precisava. Com isso, também diminuí meu tempo em redes sociais e pude fazer coisas divertidas em vez disso (brincar em um livro de liga-pontos, colorir com tempera, brincar com lápis de cor). Fora poder me focar mais em relacionamentos mais duradouros com pessoas queridas, pra quem posso dispensar atenção de forma mais plena.

9. Estudei espanhol o ano todo, de janeiro a dezembro. Coisa linda. No primeiro semestre teve o curso do Future Learn, que me deu o ânimo necessário. Cansada de estudar online, abri um cadastro na Biblioteca Cervantes, na Paulista, onde pude retirar livros. Me dando um prazo apertado pra completa-los, estou prestes a completar o nível B1 (faltam alguns exercícios que devo fazer semana que vem). Finalmente posso dizer que falo BEM o idioma.

10. Tomei a decisão de ser mais corajosa e tentar dar um rumo na minha vida profissional. Isso tem a ver com dar aulas particulares e também com a área de comunicação, onde pretendo me reciclar e tentar aprender novos conceitos. Se eu gostar, legal, se não parto pra outra. Percebi que neste ano andava meio ranzinza em alguns aspectos e nada vai mudar só com o poder negativo jogado pro mundo. Financeiramente as coisas estão ruins, não estou me sentindo realizada, talvez no fim das contas eu precisasse de toda a frustração dos últimos anos pra enxergar algumas coisas.

11. Logo no início do ano ganhei um dinheiro absolutamente inesperado que salvou minhas economias neste ano. Teve a ver com um trabalho anterior e, Deus do Céu, me senti ganhando na loteria. A vontade era danças no meio da rua.

12. No último mês do ano, troquei de quarto em casa. Pra um maior, um pouco mais caro, mas eu precisava de mais silêncio (o anterior era barulhento), mais espaço e de mudança. Uma qualquer, desde que imediata. Quero muito curti-lo em 2018.

13. Fiz umas viagens curtas, mas muito legais. Holambra, linda, finalmente a visitei. Destaco também Guararema e Atibaia, onde passei dias maravilhosos. Dentro de São Paulo também fiz uns passeios divertidos, conheci parques novos, trilhas, museus. Redescobrir a cidade sempre me deixa feliz.

14. Consegui visitar minha família mais do que a média. No segundo semestre, fora Natal, viajei pra Farroupilha duas vezes – incluindo aniversário da minha vó em outubro J Acho difícil repetir isso no próximo ano, mas vamos ver o que dá pra fazer. Skype tá aí pra isso.

15. Participei de alguns eventos e escrevi algumas poucas matérias para a Revista RI. Como tenho tentado praticar mais a gratidão, não poderia deixar de citar, afinal contribuíram com um dinheiro importante e me permitiram atualizar meu portfolio de jornalista.

16. Comprei um tablet. Me deu a louca, eu tinha um dinheiro que na época podia ser usado pra isso e pá pum. Coisa incrível. Amor da minha vida desde o primeiro minuto de uso.

Coisas ruins
1. Minha rotina de ir pra cama e de sono está bastante esculhambada e não consegui botar nos eixos. Conto nos dedos os dias em que acordei cedo por opção e não necessidade absoluta. Redes sociais, malditas, me roubam um tempo considerável à noite, fora a tal da tela brilhante, então pra 2018 quero colocar o limite (já testado) de não acessar a internet após as 22h. Difícil porque trabalho à noite (por isso a dificuldade de ter uma rotina equilibrada), mas posso fazer melhor.

2. Fiquei ultradeprimida em alguns momentos, principalmente na metade do ano e, se fosse pra arriscar o que houve em julho, diria que foi tudo dentro de mim dizendo “As coisas não estão legais”.

3. Financeiramente, apesar de ter ganhado um dinheiro legal no primeiro semestre, não consegui equilibrar as contas no segundo semestre e fiquei praticamente no prejuízo. Literalmente fiquei esperando trabalho, várias coisas saíram cagadas, e só agora consigo ter noção do absurdo de tudo isso.

4. Tentei conseguir trabalhos e projetos como jornalista, maiores para conseguir um dinheiro legal mesmo, e dei com os burros n’água. Impressão é que não tem mais nada aberto ou rodando. Que houve com o mundo? Cadê os jornal e as revista tudo?

5. Queria ter escrito muito mais para meu blog em inglês. Total falta de organização. Mas escrevi alguns para o Medium, em um caderno físico e até mesmo aqui, então tento não me chatear tanto. Consegui mudar o layout (aleluia!) e quero dar mais atenção pra isso nos próximos meses, ainda nem sei como.

6. Falando nisso, embora tenha melhorado muito em termos de organização, estou longe do ideal. Sinto que podia ter feito mais coisas, perdi tempo com bobagens, mas às vezes foi meio culpa do desânimo.

7. Queria ter avançado mais no estudo de inglês, mas no segundo semestre, enrolada e preocupada em arrumar mais trabalho, meio que larguei de mão. Acabo aprendendo muito por causa das aulas, mas não é o suficiente. Menos mal que estudei bastante espanhol (meta principal do ano), estudei um pouco de árabe (bem pouquinho) e até comecei irlandês no Duolingo.

8. Eu não tinha grandes expectativas em relação à minha vida afetiva e, nossa, ainda bem, porque começamos o ano do mesmo jeito que terminamos.

9. Um dos meus objetivos era aprender edição de imagem. Comecei bem empolgada a seguir alguns tutoriais do Gimp, mas em fevereiro já tinha perdido o pique.

10. Terminei o ano desgastada, principalmente na questão emocional. Era bem esperado, mas foi cansativo atravessar dezembro com esse sentimento.

Claramente, passei comtranquilidade das dez coisas positivas em 2017. Algumas foram estonteantes, outras apenas legais, mas todas contribuíram para que fosse um ano bom. Difícil, longo, desafiador, mas ainda assim não tenho do que reclamar da vida. Se tivesse que definir esse ano com uma palavra, diria que foi o ano da reflexão. Mais que qualquer outro. Antes de publicar estava lendo meus balancetes de anos anteriores e, credo, como tenho feito coisas. Se nem sempre as certas, ao menos tenho tentado. E vamos continuar tentando em 2018, que começará com tudo. Tem que dar certo. E vai dar.

20.11.17

Tirei as tintas da caixa. Saí da caixa também.




Nesse domingo eu planejava ir a uma palestra sobre assexualidade no Centro Cultural São Paulo, mas a) o metrô não estava funcionando b) o tempo estava chuvoso c) estava com preguiça d) preferi economizar o dinheiro da passagem e ficar em casa mesmo.

Ainda de manhã eu tinha decidido: ia ser dia de estrear minhas têmperas, meu pincel e meus apetrechos improvisados de pintura. TÊMPERA DE CRIANÇA????? Essas aí mesmo!

Eu sempre gostei muito de pintar. Quando era criança, idade em que se ganha altos incentivos para fazer essas coisas, encarava as tintas como um mundo à parte, um mundo adorável. Usava a mesa da cozinha pra fazer meus trabalhos de colégio ou, se o dia estava bonito, tomava um banco velho no jardim pra fazer de "ateliê". Com o tempo descobri que havia umas tintas esquecidas no porão, do tempo em que minha dinda estudava artes na escola, e claro que as peguei pra mim. Eu tinha então muitas cores e ainda fazia outros misturando.

Fui uma criança sortuda que, no ensino médio (sei lá como o chamam hoje), em Farroupilha, teve o privilégio de estudar educação artística. Estudar mesmo. Minha professora ensinava Impressionismo. Pop Art. Natureza Morta. Vem daí meu amor por Renoir, pra ter ideia. Com isso, fui aprendendo alguns conceitos e comecei a entender um pouquinho de arte. Eu cheguei a criar uma pintura impressionista que certamente não agradaria aos mestres,mas me achei supimpa. Infelizmente não guardei qualquer trabalho dessa época.

Só que tinha um problema. Nunca fui talentosa pras artes. Do tipo que alguém elogia. Duas amigas minhas, sim, elas arrasavam. Copiavam qualquer desenho com uma facilidade tremenda. Criavam umas coisas diferentonas. Eu, no máximo, fazia uns garranchos. Com muito esforço fazia algo que ganhasse atenção.

Mas não ter talento nato, seja lá o que isso significa, não quer dizer necessariamente falta de criatividade. Mas quem ganha reconhecimento em um sistema educacional rígido é quem faz tudo perfeitinho, bonitinho, seguindo regras. E eu nunca fui uma criança, por exemplo, que pintava dentro dos limites com lápis de cor. Fui treinada para fazer isso. Treino mesmo, professora me repreendendo, adultos tendo chilique porque eu risquei todo um livro de histórias que ganhei da minha prima. Eu tava me divertindo apenas, mas pros adultos, noooossa, a Pati não é muito normal (eu sempre fui meio a esquisitona do rolê).

Daí eu fui crescendo, assumindo responsabilidades (tipo vestibular!) e esqueci das as  temperas. Quer dizer, esquecer nunca esqueci, mas a época disso tinha passado, segundo eu mesma ou as regras sociais ou sei lá quem.

O tempo passou e eu sempre rejeitando a ideia de ser criativa. Criatividade é pra publicitário, artista, povo do teatro, só sou jornalista, gente, escrevo umas histórias e uns textos pra internet. Era assim que eu pensava, até porque detestava (e detesto) escrever ficção.

Em 2012 tive a chance de fazer um curso gratuito no Mube, História da Arte Universal. Amei as aulas, amei a professora, passei a sonhar com visitas a museus europeus, comprei um livro pra estudar mas sempre com a ideia “Eu queria ser criativa, mas não sou, que pena”.

Até chegar a Dublin em 2014. Lá, em uma manhã fria de inverno, resolvi fazer um teste de personalidade que me revelou IFSP, conhecido como “artista-compositor”. E aí descrevia esse tipo de pessoa e CARAAAALHO TEM TUDO A VER COMIGO. Entendi então que eu era criativa, sim. Que eu passo o dia tendo ideia mirabolante e fazendo planos pra lidar com minhas ideias e pesquisando e querendo fazer tudo diferente e enjoada do que já conhecia e que criatividade é tudo isso e... Tão eu mesma.

Desde então me perguntava “Por que eu deixei de pintar?” E eu não encontrei resposta.

Todo esta história me traz até 2017, mais precisamente seu início, quando eu estava tão feliz em um dia que passei em uma Kalunga pra comprar alguma coisa e saí de lá com têmperas. É agora, pensei. Enrolada com mil questões durante o ano, deixei as têmperas guardadas em uma caixa com meus livros. 

Neste fim de semana elas saíram da caixa, ou talvez eu tenha saído da caixa junto com elas. Almocei, dormi, continuei um texto pro meu outro blog e tcharaaaamm liberei espaço pras minhas tintas. Meses de espera praquelas têmperas novinhas, anos de espera pra mim, que senti tanta saudade daquele movimento de combinar cores no papel, esperar secar, limpar pincel, começar tudo outra vez...

Fiz uma casinha no bosque que, pra ser honesta, ficou horrenda. Isso do ponto de vista estético, claro. Algo meio Van Gogh, talvez aquela árvore, não sei, mas poxa, imediatamente já passei a amar esse desenho. 



Nessa segunda de feriado me sinto imensamente bem. Fico me perguntando se é só reflexo da meditação recém- iniciada ou se foram as tintas que deram uma colorida a mais na vida. Quem sabe não estudo pintura a sério no futuro? Sei apenas que não vejo a hora de ter um tempinho livre pra pintar uma coisinha nova e recuperar o tempo perdido.

Queria dizer àquela Pati pequenininha que rabiscava livros que está tudo bem, que artistas e/ou loucos sempre foram meio incompreendidos, então não tem nada pra se preocupar.



7.11.17

Da literatura húngara

"A gente só precisa dar o primeiro passo no caminho da decadência, o segundo parece natural."

(O Último Charuto no Arabs Szürkem, Gyula Krúdy)

1.11.17

inseguranças

Acordei pensando um monte de coisas nessa quarta com carinha de bunda, como têm sido os dias em São Paulo, e pensando principalmente que meus medos daqui pra frente (alguns, uns tantos) são meio bobos porque eu já enfrentei tanta coisa mais difícil nessa vida.

Como diz no popular, foi cada leão que eu já tive que matar que, sinceramente, posso rir da minha própria insegurança quando ela vem.

E como diz a música lá, não vim até aqui pra desistir agora. Mas não mesmo.

8.10.17

E só faltam três



Isso mesmo, três meses para terminar o ano. Menos, porque hoje já é dia 7 de outubro. Não sou de correr quando se chega nessa fase, prefiro já eliminar o que não dá pra fazer e projetar um ano que vem lindo e novo.

Já começo dizendo que comecei a segunda metade de 2017 revendo objetivos, ou melhor, trocando-os de lugar. Quero fazer o que me propus, mas talvez algumas coisas aconteçam antes de outras. Nada está definido, e estou muito tentando não permitir que isso ferre de vez com minha cabeça. Paciência é a palavra que mais me cabe no momento.

Sobre as minhas diretrizes de 2017, expressão que considero mais conveniente do que "promessas", algumas vão bem, outras se perderam no caminho e vão ficar pra outra hora.

1. Seguir estudando inglês rumo à proficiência

Considerando que devo estudar todos os dias por causa do meu trabalho, posso dizer que estou cada vez mais perto da proficiência propriamente dita. Recentemente defini que preciso voltar algumas casas e estudar os livros de Upper Intermediate e Advanced que trouxe de Dublin. Sinto que algumas estruturas de gramática, por exemplo, ainda me confundem, e vocabulário é algo que nunca se para de aprender. Sem dizer que as milhares de collocations que eu aprendo para o CPE não uso com os alunos, então estão fazendo sentido para melhorar meu vocabulário mais "comum".

2. 2017 será o ano da literatura russa

Na semana em que escrevo isso, passei em uma livraria e havia e promoção de muuuuitos livros de literatura russa (e da editora 34, que traduz direto para o português). Tem dois que desejo comprar, desejo muito, mas no domingo gastei R$ 35 em livros em inglês (James Joyce e Oscar Wilde, sabe como é) então chega de livro em outubro.

Anna Karenina continua na lista do Skoob de metas para 2017, mas sinto que não vai rolar. Fica pra depois. Ao menos estou lendo bastante, então falta de leitura não é.

3. Manter atividade física

Esse está fácil. Caminho a cada dois ou três dias por 30 ou 40 minutos. Pretendia voltar a correr ainda esse ano, cheguei a buscar grupos de corrida gratuitos, mas são em horários malucos e não tem como conciliar com uma rotina também maluca de aulas e trabalho. Fiz menos trilhas no último trimestre e quero fazer ao menos uma legal até o final do ano.

4. Estudar espanhol no primeiro semestre e árabe no segundo semestre

Esta minha diretriz é um sucesso na metade e um fracasso na outra. Sigo estudando espanhol e dei uma evoluída sensacional entre agosto e setembro. Estou concluindo a revisão dos livros de A1 e A2, graças à maravilhosa Biblioteca do Instituto Cervantes que me empresta livros por módicos R$ 40 ao ano. Se tudo der certo, até o final do ano encerro o livro e os estudos do nível B1 e aí signfica Upper Intermediate (ainda não sei dizer isso em espanhol, mas é o tal do B2).

Já o árabe, coitado, continua na fila. Tá foda só pensar em conciliar três idiomas. Esse aí já joguei pra ano que vem, com fé e esperança de que ao menos conseguirei revisar alguma coisinha.

5. Diminuir ainda mais o uso de redes sociais e otimizar meu tempo online

Nos últimos tempos, em função de procurar trabalho em mais consultorias de inglês e em projetos de jornalismo, precisei acessar mais o Facebook e o Linkedin, mas ainda assim em doses racionais. Interajo com as pessoas no final de semana, exceto quando algo mais urgente aparece. Twitter abro a cada 7 ou mesmo 15 dias. Sigo usando bastante o Instagram, mas confesso ter enjoado um pouco. Assim como aconteceu nos últimos meses, quando estou online estou geralmente fazendo algo útil, uma melhora de 500% em relação ao que eu já fui.

6. Conhecer lugares novos o máximo possível – pelo menos um lugar diferente por mês

Em julho, mês do meu aniversário, saí de São Paulo todos os finais de semana para conhecer locais e cidades diferentes. Em agosto, fui a Holambra e curti tanto que considero a viagem um bom "sossega-rabo" por uns tempos. No mesmo mês fui pro RS, viajei com meus pais pra Antônio Prado e amei a cidade. Setembro foi um mês agitado e eu estava sem cabeça até pra pensar no que fazer sábado ou domingo. Vamos ver se consigo voltar à rotina de diversões (baratas) antes de chegar o calor medonho.

Holambra :) 

7. Planejar futura viagem (plano ainda em gestação) – ler o máximo possível

A ideia era viajar pela América do Sul em 2018 e, no momento, o plano foi abortado. Notas metas no lugar, talvez. Quem sabe o que vem por aí.

8. Dar mais atenção à minha família

Continuo uma pessoa que odeia falar no telefone e, por isso, ligo pouco para minha família. Eles são ocupados, eu ando toda enrolada, então passo mais de uma semana sem dar sinal de vida. Ao menos viajei pro RS em agosto e vou novamente em outubro, já na próxima semana. Melhor que telefone, né :)

9. Passar mais tempo desconectada da internet

Difícil desconectar quando se precisa de internet pra tudo na vida - trabalhar, estudar, checar previsão do tempo, ver vídeos de animais lindíneos e atualizar lista de projetos e atividades. Tento desligar mais aos finais de semana, quando saio, até porque meu smartphone nem conecta em wifi pública mais, coitado.

10. Tentar dar “um rumo na vida” em termos profissionais

Tive vários “insights” nesses últimos três meses sobre a vida em geral, e a questão profissional não fugiu. Me dei conta de que, em geral, não estou feliz do jeito como as coisas estão. É preciso mudar. Estudar. Tentar. Sempre fui muito feliz em termos de trabalho e pela primeira vez lido com um certo sentimento de frustração.

A certeza da insatisfação me levou a tirar a bunda da cadeira. Aos poucos estou estabelecendo parcerias com novas consultorias de idiomas para dar aulas, não só porque preciso de dinheiro mas porque quero ganhar mais experiência. Penso também em dar aulas por conta, principalmente via Skype. Avisei alguns amigos que estou disponível para trabalhos na área do jornalismo e planejo também aprender muito sobre marketing digital. De tudo isso, algo bom vai ter que sair.

11. Estudar mais sobre anarquismo

Não rolou. E não vai rolar em 2017. Paciência.

Pra resumir, julho, agosto e setembro foram meses pesados. Muitas coisas aconteceram e ainda estão acontecendo, o que me deixa perdida volta e meia. Pretendo estudar um pouco sobre mindfulness nas próximas semanas porque, se tudo correr como espero, tenho uma batalha longa pela frente, mas a única que realmente estou a fim de enfrentar hoje.

Wish me luck.

8.9.17

a kombi estacionada e a necessidade de caminhar


Nos últimos quatro anos minha vida tem sido uma montanha-russa maluca, com empregos que vão, empregos que vêm, cidades novas, passeios, pessoas, decepções, alegrias, e a única coisa que me acompanha é uma instabilidade.

Em 2017 eu prometi que faria o possível para manter o ano tão tranquilo quanto possível. Começou muitísimo bem, com boas novas fenomenais, depois o ritmo caiu por volta de abril. Em maio eu já estava com a corda toda outra vez, mas em julho senti uns sintomas de depressão muito fortes. Como há anos eu não sentia. Foram semanas me sentindo mal, alguns dias quase insuportávei, tavez o tal do inferno astral que apareceria antes do aniversário.

Pós-ficar mais velha voltei a me sentir melhor, e agora eu sinto aquela âncora terrível querendo me levar pra baixo outra vez. Em questão de dias se passaram várias coisas, sentimentos, ideias, imagens, Sao Paulo, Dublin, onde exatamente eu estou, e é bem difícil segurar as pontas de vez em quando.

Eu achava que meu futuro estava relativamente certo, daí a vida me mostrou que talvez não seja bem assim. Que talvez tudo dependa de mim. Que eu talvez precise ser mais corajosa do que sempre fui. Parece que decisões terão que ser tomadas.

Algo tem me incomodado de uns tempos pra cá. A certeza de que estou demasiado parada na vida. Para meus padrões, claro. Tem gente que passa a própria existência fazendo o mesmo e não há problema. Mas eu queria estar de alguma forma andando. E não estou. Me sinto como uma kombi velha, daquelas estacionadas, abandonadas numa rua lateral qualquer, pra quem ninguém presta muita atenção. Aos poucos vão levando as peças, a pintura descasa, molha o forro dos bancos, mas aparentemente está tudo igual, porque ela não anda, parou de andar faz muito, então tá tudo bem. Tudo normal.

Só que não. Não tá tudo bem e até em sonho eu já gritei tentando comunicar algo que não sei explicar, não é visível. Eu sou essa kombi velha e não quero ser. Eu quero andar, ver paisagens, transportar ideias, carregar e descarregar sentimentos.

É muito difícil admitir que não, não tá tudo bem, ao contrário, tá tudo cagado e não se sabe onde consertar primeiro. Mas é preciso fazer isso.

Acho que o primeiro passo eu já dei. Como o dono da Kombi que precisa tirá-la do lugar o quanto antes de ter perda total, eu preciso caminhar. Foi difícil perceber o quanto tenho sido covarde, mas lamentar não adianta, então vamos olhar pra frente. Seguindo.


31.7.17

Oá, 33

Fazemos 33, mas a mente continua de uma jovenzinha. Belo dia pra tocar um foda-se pro que a sociedade espera. Deixa meu pinguim aí lembrando que envelhecer é bom, é um privilégio, mas manter a alma juvenil é o grande segredo. Que os sonhos fiquem mais loucos, mais ousados, mais coloridos.

4.7.17

E metade do ano já era


Eu planejava demonstrar toda a minha eficiência escrevendo sobre os resultados do meu “2017 Parte 1” na sexta, no último diazinho do semestre, mas eis que tive uma febre bizarra que me deixou indisposta quase todo o final de semana. Demorou uns diazinhos a mais pra escrever, mas aí vamos nós.




De modo geral estou bem satisfeita com o ano até agora. Posso quase me dar o luxo de olhar meio esnobe pra quem chegou na metade do ano sem conseguir riscar nada da lista de ~ resoluções ~ Primeiro porque não ~ trabalhamos mais ~ com resoluções, já que as coisas mudam, a vida muda, os planos mudam. Agora pensamos em ~ diretrizes ~, que mais servem para guiar o que quero fazer nos próximos tempos.

Esse vai ser um resumo, então, do que fiz em abril, maio e junho e do quanto estou seguindo o que me propus neste primeiro semestre.

1. Seguir estudando inglês rumo à proficiência

Devagarinho estou fazendo isso. Todo dia aprendo palavras novas por conta do meu trabalho e aprimoro todas as habilidades por estar em contato diário com a língua. Neste ano comecei uma especialização online (e grátis, Coursera maravilhosa te amo tanto) em Business English que está me ajudando com as aulas e dando vocabulário que será importantíssimo quando o CPE chegar. Religiosamente faço atividades neste site e até comecei a revisar o material de Dublin! Estou com um arquivo prontinho para imprimir e revisar o conteúdo do livro que lindamente me levou a meus 199 pontos no CAE, então considero tudo mais do que sob controle.

2. 2017 será o ano da literatura russa

Esse ponto está difícil. Acrescentei um monte de livros novos à lista, tenho outros na fila pra comprar, então 2017 não está sendo o ano dos grandes escritores russos como eu planejei. Temos ainda seis meses e Anna Karenina está na meta de leitura do Skoob, então quem sabe. Sinceramente se eu ler Anna karenina em inglês acho que a meta está mais que cumprida.

3. Manter atividade física

Neste aspecto sucesso absoluto. Desde abril passei a levar ainda mais a sério minhas caminhadas e, em vez de só caminhar no condomínio e no Instituto Butantã, eu agora também caminho em parques nos finais de semana e faço trilhas sempre que possível. Em junho fiz uma trilha maluca em Atibaia e, enquanto a maioria dos coleguinhas bufava a cada curva, eu quase sambava. Criei um projeto para voltar a correr - quer dizer, aprender a correr de forma decente e sem me machucar, que ainda está em fase embrionária.


Cortesia de uma companheira de trilha em Atibaia, no caminho pra Pedra Grande

4. Estudar espanhol no primeiro semestre e árabe no segundo semestre

Não estou estudando espanhol o quanto gostaria, mas se considerar que fiz um curso com duração de 24 semanas - ou seja, um semestre - e que cobre todinho o nível A1, no está tan malo. Prefiro demorar mais nessa fase básica e aprender direito do que ter um espanhol capenga mais pra frente. No momento estou fazendo um novo planejamento de estudo pra avaliar como posso ingressar no A2. Dividir-se entre duas línguas NÃO é fácil, então não sei como posso acrescentar o árabe na rotina. Acredito que, pra alegrar meu coração multicultural, eu poderia revisar os conteúdos de árabe clássico nem que fosse uma vez por mês. Tosco, mas não de todo inútil. Feito é melhor que perfeito tem sido meu lema.

5. Diminuir ainda mais o uso de redes sociais e otimizar meu tempo online

Desde o Carnaval passei a acessar o Facebook só aos finais de semana. Essencialmente para checar mensagens, postar umas fotos de meus passeios despretensiosos por São Paulo e acompanhar eventos culturais e políticos. Minhas semanas, assim, têm sido imensamente mais produtivas. Twitter acesso aos finais de semana também, mas às vezes nem isso. Prefiro usá-lo para acompanhar algo específico, como jogos ou protestos (ou ainda as tretas políticas brasileiras que são imperdíveis). Instagram parou de funcionar no smartphone de novo, mas acesso no tablet (aliás, que ganho de vida maravilhoso esse aparelho). Não me atrapalha e vejo catioros, paisagens, amigues e por aí vai. Dá ainda pra ter acesso a umas programações de alguns centros culturais e museus. Poderia até acessar menos, talvez no futuro. Com isso, quando estou na internet, estou fazendo algo útil (geralmente, né, não somos perfeit@s).

6. Conhecer lugares novos o máximo possível – pelo menos um lugar diferente por mês

A grande mudança do segundo trimestre. Após algumas semanas surtada estudando e trabalhando nos finais de semana, me dei conta que, se não levar a sério momentos de descanso, surto com regularidade. Ficar em casa sem fazer nada é chato. Ler é bom em dias de chuva, posso escrever ou brincar no meu livro de colorir, mas quando tá sol eu quero ver o mundo. Nem que seja as praças aqui do Butantã, onde moro. Incrementei a lista de sugestões de viagens/passeios/pernadas para não perder tempo pesquisando o que fazer em cada final de semana, criei uma página para organizar essas atividades e parece que tomei remédio de tanta diferença que faz na minha vida. A qualquer hora quero escrever sobre isso.

7. Planejar futura viagem (plano ainda em gestação) – ler o máximo possível

Isso tá complicado. Ainda não consegui botar a bunda na cadeira pra fazer um braimstorm básico. Estou tentando organizar um material de leitura no computador. Há algumas semanas li “Viajante Solitário”, do Kerouac, que me incentivou a comprar “Livre”, da Cheryl Strayed, na lista próxima de leitura. Acredito que quando começar a organizar, der o tal primeiro passo, tudo ficará mais simples. Talvez. Quem sabe. Oremos.

8. Dar mais atenção à minha família

Cheguei à conclusão que realmente detesto falar no telefone, razão pela qual não ligo com frequência para casa. Prefiro mil vezes o Skype onde consigo ver as pessoas. Para não falar que, durante a semana, estou enrolada com mil coisas, nos finais de semana com outras mil. Tento telefonar com certa frequência, mas volta e meia falho. Em agosto vou pra Farropis passar uma semana, então poderei compensar um pouco.

9. Passar mais tempo desconectada da internet

Ainda passo muito tempo online durante a semana, mas tempo me desligar mais nos finais de semana. Tenho um livro de colorir, comprei um livro de ligar pontos, vou caminhar com regularidade, estou lendo FODASTICAMENTE MAIS que nos últimos anos, então aos poucos diminuo esse tempo.

10. Tentar dar “um rumo na vida” em termos profissionais

Nesse aspecto, sinceramente, estou vivendo apenas. Curtindo as experiências que vão somar lá na frente. Pela primeira vez na vida não estou colocando trabalho na frente do resto e é o melhor que poderia fazer.

11. Estudar mais sobre anarquismo

Sem chances hoje. Comecei empolgadona no início do ano, mas mil prioridades apareceram. Segundo semestre está aqui, talvez ainda consiga ler alguns livros e textos importantes. Sou uma só, não tem jeito.

Hoje eu evidentemente faria essa lista diferente, acrescentando pontos importantes como estudar sobre investimentos. Sou uma ignorante no assunto e, né, passou da hora de aprender. Demorou pra burro pra entender que NEM SEMPRE deixar na poupança é mais vantajoso. De maneira geral eu já faço tudo certinho (só gasto com o necessário e mais que isso teria que me alimentar de luz), então falta apenas, como se diz, botar o dinheiro pra trabalhar. Em junho desencostei da estante um livro que ganhei há séculos sobre conceitos básicos de investimentos e, em breve, brevíssimo, pretendo dar meus primeiros passos concretos. Isso está absolutamente relacionado à viagem.

Ultimamente também tenho feito um esforço no sentido de introduzir a meditação na minha vida, ou ao menos algumas técnicas de mindfulness. A cada dia me dou conta de que estar BEM com a cabeça da gente (e o coração) é crucial.

Ah, e estou tentando fazer da escrita em inglês uma rotina semanal. Comecei há poucas semanas, então ainda estou ajustando. A ideia é escrever sobre todas as minhas viagens à Europa até o final do ano (provavelmente não consiga, mas fica o desafio pra mim mesma).

Não posso reclamar, essa é a verdade. Esse ano tem sido bem legal comigo e, o mais importante, estou aprendendo a ser legal comigo. Gostaria de fazer mais coisas, mas devagar e sempre, como dizia o filósofo Amor Sem Fim dos Ursinhos Carinhosos

(alô vc que vai fazer 33 no fim do mês mas continua citando Ursinhos Carinhosos pra falar de sua vida J )

23.6.17

Bloomsday

Sexta-feira foi dia de Bloomsday ao redor do mundo, quando se celebra a jornada de Leopold Bloom, personagem famosão de Ulysses de James Joyce.

A Casa das Rosas em São Paulo fez um m evento com palestras, música e dança irlandesa (e Guinness, mas por 32 reais não tem condições). Claro que eu estava lá. Foi o trigésimo evento do tipo em São Paulo. Voltei pra casa com tanta coisa na cabeça e no coração que precisei despejar umas linhas. Joguei no Facebook, mas quis reproduzir por aqui também.

"De um Bloomsday, na Casa da Rosas, com James Joyce, Irish dance, Irish music e vários filmes passando na minha cabeça e no meu coração, saio direto pra uma caminhada na Paulista, tentando lidar com um monte de sentimentos. E ali na famosa avenida então eu vejo um cara vestido de punk tipo anos 70, um senhor vestido de Chaves, um menino vestido de Michael Jackson, várias pessoas indo ou vindo de uma festa junina, um maluco tocando AC/DC, hippies vendendo muamba e todo mundo já naquela vibe Parada Gay.
Aí me dei conta que nunca saí de São Paulo quando fui pra Dublin e que nunca saí de Dublin, mesmo tendo voltado pra São Paulo. E voltar se torna um verbo quase inútil porque como assim voltar de um lugar se a gente nunca saiu dele. E de qual "eu" me refiro mesmo, quando vamos mudando a cada pessoa, paisagem ou experiência que aparece.

Só queria mesmo um trem-bala que me transportasse entre essas duas cidades em um piscar de olhos pra eu comer coxinha numa padoca de esquina e, cinco minutos depois, tomar Guinness e olhar pro Liffey River.

Da próxima vez que perguntarem, São Paulo ou Dublin, vou perguntar de volta se dá pra ser as duas, já que ambas grudaram em mim e, por mais que eu tente, parece que nunca vou me livrar."

25.5.17

Inspiração pro dia

Encontrei essa mensagem, atribuída ao Caio Fernando Abreu, durante uma voltinha pelo Instagram hoje pela manhã.

Tenho pensado muito sobre essa coisa de fases da vida e acho que esse ano, por várias razões, trouxe uma fase nova. Bom focar no presente e no futuro em vez de querer remendar um passado que nunca vai voltar.


2.4.17

E um quarto do ano já se foi

Sexta foi o último mês de março e, com ele, um terço do ano vai embora. Pra quem diz que o ano começa depois do Carnaval, bem, quer dizer que até agora 2017 só teve de verdade um mês.

Eu como nem gosto de Carnaval nem quero ter outro ano arrastado e frustrante como 2016, resolvi ainda no comecinho de janeiro que os 12 meses que teria pela frente teriam que render. Como disse a uma amiga ontem, recentemente me dei conta (outra vez) de que se eu não fizer “por mim” ninguém vai fazer. Então mãos à obra que a vida é curta e não tem tempo pra resmungo ou procrastinação excessiva (um pouquinho até acho que faz bem pra saúde).

Então esse ano decidi que, além do meu ~balancete ~ de final de ano no blog, pretendo escrever mais sobre como meus projetos estão indo. Sim, projetos. Passei a adotar esse termo, que denota uma certa seriedade mas me parece um jeito ideal de encarar com mais determinação tudo que eu faço.

Como não defini resoluções (que sinceramente até me soa cafona hoje em dia), mas diretrizes, ou seja, algo para funcionar como um guia, é em cima disso que tenho me orientado para avaliar como andam as coisas e a vida. Aqui é necessário parar e mandar uma salva de palmas e de beijos pro Todoist, um software free que serve para organizar tarefas, projetos e o que mais puder imaginar.

1. Seguir estudando inglês rumo à proficiência 

Isso está indo muito bem e muito mal. Se por um lado estudo todos os dias enquanto preparo minhas aulas (e aprendo palavras e expressões novas num ritmo quase alucinante), por outro ainda não consegui reorganizar meu material de Dublin, que contém todo o conteúdo das minhas aulas na CES, onde estudei por seis meses e ganhei uma bagagem no idioma pra uma vida inteira. Por absoluta falta de tempo ainda nem consegui parar e pensar em como dar conta daqueles três arquivos enormes.

Um sonho: ter meu material organizado e lindo assim
2. 2017 será o ano da literatura russa

Por ora o máximo que consegui foi comprar Anna Karenina (em inglês e por 10 reais na Livraria Cultura). Tenho impressão que não será muito fácil ler esse livro na língua do Shakespeare, portanto estou desde me preparando psicologicamente. Tenho anotados mais uns dois livros de escritores russos para comprar. Tem aí nove meses pela frente, então acho que está tudo bem.

3. Manter atividade física

Sim, mantenho. Caminho três por semana em média, e mais que isso tem sido impossível. Dependendo do dia tenho aulas de manhã e à noite, fora o fato de que dar aula indo até o aluno é bonito e nobre no slogan, mas cansativo para as pernas do(a) instrutor(a). Também tento fazer alongamento todos os dias pela manhã (a preguiça fala mais alto várias vezes). Mesmo com três dias, porém, vejo que meu condicionamento físico está bom. Semana passada fiz uma trilha de 9km ida e volta, de intensidade média em um parque lindo perto de São Paulo, e dia seguinte me sentia uma pessoa, não um saco de batatas amassado. Me animou a fazer mais e mais trilhas e continuar me exercitando.

4. Estudar espanhol no primeiro semestre e árabe no segundo semestre

Ultimamente não consigo dar conta do que tenho que fazer direito, então quero sinceramente evitar pensar nessa questão do árabe até julho. Quanto ao espanhol, em três meses fiz QUATRO cursos do Future Learn e estou revisando todo o nível A1. Tem sido excelente e aprendo muito. Considero que ainda poderia fazer várias coisas para avançar mais na língua, mas conciliar o estudo de dois idiomas não tem sido fácil. Ontem comecei o quinto curso e até o final de maio completo o sexto e termino o programa. Nada mal. Se mantiver o ritmo chegarei ao final do ano com algo que se assemelha ao nível B2 (mas aí tem o árabe também e deixa pra lá que só de imaginar outra língua já me estressa)

5. Diminuir ainda mais o uso de redes sociais e otimizar meu tempo online

Durante o carnaval li uns textos sobre o uso de redes sociais e experimentos de alguns dias sem elas e decidi fazer uma experiência também. Minha proposta: utilizar as mídias só aos finais de semana. Por ora só abrange Twitter e Facebook, que são as duas únicas que me afetam de algum modo. Eu explico mais aqui na minha conta do Medium, criada durante o Carnaval pra me motivar a escrever mais.

6. Conhecer lugares novos o máximo possível – pelo menos um lugar diferente por mês

Simplesmente não é viável conhecer qualquer lugar durante o verão no Brasil. Não há wanderlust que resista a 37 graus. Até agora só voltei a Paranapiacaba, desta vez com um grupo para fazer uma trilha, a da Cachoeira Escondida. Foi legal e planejo muitas coisas, agora que o tempo nos permite viver de forma digna.

No Mirante da trilha que leva a Cachoeira Escondida, em Paranapiacaba. Primeira trip do ano


7. Planejar futura viagem (plano ainda em gestação) – ler o máximo possível

De concreto, a única coisa que fiz foi criar um projeto no Todoist e comprar um tablet recentemente (aliás, uma hora mexendo nele ontem e já me pergunto como vivi tanto tempo sem um). Volta e meia leio alguma coisa que me inspira, já entrei em uns grupos de WorkAway no Facebook e penso bastante. Não tenho exatamente pressa. Pra ser honesta, hoje o que mais preciso nesse sentido é refletir mesmo.

8. Dar mais atenção à minha família

Ainda em janeiro comprei passagens para viajar na Páscoa, então mais dez dias e estou indo a Farropis. Estou ligando para casa e falando com o pessoal de lá menos do que gostaria, mas o mês de março foi cruel em termos de trabalho e estudo (alunos novos, material para preparar, para imprimir, cursos de espanhol, de Business English, freelas de jornalismo). Ainda estou tentando me adaptar a essa rotina e, por sorte, minha família é bastante querida e compreensiva.

9. Passar mais tempo desconectada da internet

Taí um desafio. Infelizmente, trabalho e estudo dependendo de internet então passo a maior parte do tempo conectada. Além disso, meus amigos estão espalhados pelo mundo e também preciso dela pra conversar com eles. Quando os finais de semana são mais tranquilos, tento deixar o computador desligado por mais tempo e leio uns livros. Ainda que passe mais tempo em frente à tela do que gostaria, vejo que a maior parte desse tempo é gasta com coisas “úteis” então estou perdoada.

10. Tentar dar “um rumo na vida” em termos profissionais 

Assim como viajar, o que de melhor posso fazer nesse sentido é pensar. Nada de overthinking, só uma avaliação meio descompromissada mesmo. Diferente do que propus no início do ano, em 2017 não pretendo tomar qualquer decisão. Só ir levando e ver o que acontece.

11. Estudar mais sobre anarquismo

Li o segundo volume de História das Ideias e Pensamentos Anarquistas. aprendi muito, fiquei inspirada e quero ler mais coisas. Não é a prioridade hoje, portanto, então quando puder faço isso. O tablet foi comprado justamente para ter algo para ler PDFs e artigos de internet na cama (tenho horror de ler no computador), então a tendência é que eu possa estudar mais daqui pra frente.

Em resumo, acho que meu ano tem sido bem legal até agora. Me sinto em paz, me sinto quase feliz, na medida do possível até realizada. Ando trabalhando e estudando mais do que queria, para ser sincera, mas como se diz, essa é a hora de fazer isso. Finalmente também aprendi a mexer no Gimp, ainda de forma básica, e quando puder quero brincar mais com ele. Mas acho que tem tempo pra tudo. Atualmente não tenho do que reclamar e isso é bom :)

25.2.17

O meu carnaval

Em casa, em um sábado/feriadinho de Carnaval, costurando umas roupas e ouvindo umas bandas de indie da Espanha.

 Anos atrás eu me sentiria mal com tudo isso. Aquele sentimento de "culpa" de não estar "aproveitando a vida" como alguém da minha idade deveria estar fazendo.

 Fato é que, talvez por já não ser tão jovem como naqueles tempos, a "obrigação" de ser feliz de acordo com a lei dos outros não me atinge mais.

Meu dia foi bom - estudei, li, dormi, escrevi - e isso me importa. Vejo as fotos dos amigos e, de verdade, me alegro de estarem curtindo o Carnaval. Eu só quero ficar em casa hoje. Só quero descansar e tocar meus projetos. Só quero ser eu mesma e como é bom fazer isso sem qualquer peso.

17.1.17

Projetando o ano

Depois de um dos piores anos da minha vida (fica aí na tumba, 2016), tive um dos melhores inícios de todos os tempos. Sinceramente acho justo e que assim continue.

De cara um possível (e um tanto sério) problema de saúde foi descartado, encontrei e reencontrei amigos queridos, descobri que tenho direito a alguns dinheiros por conta do meu último trabalho (beijos, CLT, não nos deixe), passei no CAE (ME ABRAÇA TODO MUNDO) e tive boas notícias relacionadas à minha vovó (o mais importante de tudo).

Dezesseis dias em 2017 me deram mais do que 2016 inteiro, que só me deu mesmo frustração.

Eu havia feito, nos primeiros dias deste janeiro amigo, uma lista de diretrizes - porque resolução eu não cumpro mesmo, então é mesmo algo pra eu lembrar de olhar como um guia pra vida.

Faltava o resultado do exame de proficiência, que Cambridge, maravilhosamente, liberou na segunda-feira (ontem) pra alegrar o resto da semana - e o resto da minha existência porque né, agora eu oficialmente terei um papel gostoso pra chamar de meu e que virá lá das Oropa pra dizer que meu inglês é supimpa :)

Como o CAE ficou pra trás, esse é oficialmente meu ~manual ~ de comportamento até dezembro.

1. Seguir estudando inglês rumo a proficiência :D
2. 2017 será o ano da literatura russa
3. Manter atividade física
4. Estudar espanhol no primeiro semestre e árabe no segundo semestre
5. Diminuir ainda mais o uso de redes sociais e otimizar meu tempo online
6. Conhecer lugares novos o máximo possível – pelo menos um lugar diferente por mês
7. Planejar futura viagem (plano ainda em gestação) – ler o máximo possível
8. Dar mais atenção à minha família
9. Passar mais tempo desconectada da internet
10. Tentar dar “um rumo na vida” em termos profissionais – demanda tomar decisões
11. Estudar mais sobre anarquismo

As coisas podem mudar, como tudo por aí, mas basicamente essas são as coisas em que eu quero mais me dedicar a partir de agora. O grande foco do ano será EU e minha relação com as pessoas que eu gosto, seja famílias ou amigos.

Depois de anos de tempestade talvez o arco-íris esteja aparecendo. :)

29.12.16

Um ano tão difícil

Não lembro de um ano que tenha terminado de forma tão desanimadora quanto esse 2016. Parece que foi notícia e coisa ruim do início ao fim.

Eu não diria que foi o pior ano da minha vida porque houve alguns momentos muito bons, mas certamente foi um dos mais difíceis. Em geral daqueles em que se precisa de uma dose enorme de coragem pra sair da cama pela manhã.

Quis fazer novamente aquela “retrospectiva pática” pra refletir um pouco sobre o que passou e projetar meu 2017 a partir do que esses últimos 12 meses me ensinaram. Here we go:

Coisas Boas

1. Finalmente fiz a prova de Cambridge. Foram dois anos de procrastinação até as tais “condições ideais” surgirem. Se passamos ou não é assunto para 2017, mas saiu um peso dos ombros por colocar no presente essa promessa tão longa. Em função disso estudei inglês loucamente e acredito que meu nível nunca foi tão bom quanto agora.
2. Juntei muito mais dinheiro que imaginava no início do ano. Comecei o ano quebradínea financeiramente, e a grande meta era pagar as contas com tranquilidade e economizar uma coisinha mensalmente.  Nesse aspecto o ano saiu melhor que encomenda.
3. Fiz seis cursos online. SEIS. Um de Direito Americano (que poderá servir para Inglês Jurídico se um dia algo assim se concretizar), um de jornalismo e quatro de English Teaching. Foi o ano de definitivamente morrer de amor pelo universo do ensino online. Tudo de graça, feito em casa, de pijama, sem colegas malas, esquematizado pra gente acompanhar no nosso ritmo. Sem palavras pra essa maravilha.
4. Passei pela experiência profissional mais difícil até hoje e me orgulho do fato de não ter desistido no início, como era minha vontade. Alguns conselhos e muitas reflexões me fizeram continuar e superar meus próprios limites. Acreditei em mim e decidi parar quando achei que era o momento certo. Eu fui muito forte, outra vez, em todas as etapas.
5. Não deu pra fazer grandes viagens, apesar de ter planejado algumas, mas fiz umas viagens curtíssimas que deram uma nova perspectiva sobre o ato de explorar o mundo e os nossos arredores. Um final de semana entre Paranapiacaba e Embu das Artes, no meio do ano, me deu motivos pra sorrir e lembrar que a estrada está aí pra nos fazer feliz. Eu já viajei pra tantos países mas nunca havia conhecido essas cidades, além de Santana de Parnaíba e Pirapora de Bom Jesus, que são pequenas mas adoráveis em suas cores e peculiaridades.
6. Minha intenção era iniciar meditação, não deu, mas ainda assim desenvolvi mais meu desapego e minha capacidade de viver o momento presente. Menos coisas, mais experiências. Também esclareci alguns pontos importantes sobre mim, principalmente sobre minha assexualidade, e isso me dá tranquilidade enorme pra eu continuar sendo eu mesma.
7. Apesar de não ter estudado espanhol como deveria, termino o ano com um excelente nível para alguém que nunca se dedicou a isso seriamente. O fato de morar com nativos da língua, frequentar grupos de idiomas e estar em contato durante meses no trabalho fez toda a diferença. Aliás, já estou matriculada para um curso online sobre e pretendo doar muito do meu primeiro semestre à “causa” de alcançar um nível intermediário consistente, especialmente em termos de vocabulário.
8. Termino o ano com menos expectativas em relação ao ano que começa e algo me diz que isso é bom. Porque todas as vezes em que eu tento fazer algo “bonitinho” sai tudo esculhambado, o que quase me leva a crer que o caos é parte integrante de mim (senão do universo).
9. Dei aulas de inglês de forma quase contínua. Apenas parei no final do ano porque uma aluna teve bebê. Aprendi muito sobre ensino da língua e engordei o cofrinho graças às aulas – pra não dizer que teve função terapêutica em momentos bem difíceis do ano. Sinto prazer em poder ajudar alguém a entender algo novo.
10. Um fantasma de Dublin, ao que parece, perde sua força. Foi apenas um unfriend no Facebook, nada muito planejado, mas era um passo importante e doloroso que precisava ser dado. E finalmente foi. Essa lembrança ainda me machuca mais do que deveria, mas apenas o tempo pode me ajudar a partir de agora.

Coisas ruins

1. Tive o trabalho mais frustrante da minha vida e foi uma sucessão de tristezas. Eu realmente achei que seria legal, uma oportunidade de voltar ao jornalismo no chamado grande estilo, mas não deu certo. No geral foi um fracasso e, exceto pela parte financeira, um atraso de vida, já que eu deixei alunos e turma que me empolgavam bastante para me dedicar integralmente. Ultimamente encaro o que houve como algo para testar minha força e resistência.
2. Li poucos livros. Comprei vários, mas faltou motivação pra ler. Eu não me culpo, porém. Quando der vontade eu leio, como estou fazendo nesses dias de interior e descanso.
3. Não escrevi o quanto gostaria de ter escrito. Criei um blog em inglês para relatar minhas experiências overseas, mas raramente escrevo. Diria que faltou tempo e saco de passar ainda mais tempo na frente do computador.
4. Termino o ano muito perdida em relação a qual caminho seguir e me sinto sozinha também, talvez mais do que nunca. Tem horas em que me sinto corajosa, no entanto muitas vezes dá um medo gigante do futuro, que parece um bicho papão.
5. Tive mais momentos de depressão do que imaginava, especialmente por causa do trabalho. Achei que estaria indo em direção a um poço sem fundo e cogitei buscar ajuda profissional. A correria do dia a dia me fez desistir, assim como a perda do plano de saúde após a demissão.
6. Recomecei a fazer atividade física, mas de forma muito inconstante. Parei por meses e mesmo nos últimos tempos, quando sobrava uma horinha no final do dia, cheguei a passar duas semanas sem colocar os tênis para dar minha caminhada na vizinhança. Nas vezes em que fui foi mais motivada por dores causadas pelo sedentarismo do que por questão de consciência mesmo.
7. Tinha planos de estudar árabe e não consegui nem ao menos pegar os livros este ano. Me dediquei a mil coisas, então a falta de tempo foi um fator, mas sinto saudades desse tipo de estudo e empurro a meta para 2017.
8. Eu deveria, talvez, estar mais aberta à vida e às pessoas e aos amores, mas acho que as minhas experiências me levaram a um ponto em que eu perdi a vontade e a crença de que existe alguém legal no fim do arco-íris. Talvez um dia esse sentimento ruim passe.
9. Uma aluna, a primeira que tive, não quis mais ter aulas comigo. Apesar de saber que ela tem um histórico difícil e nunca se dedicou, o episódio me decepcionou.
10. Uma das escolas para quem dei aulas decidiu encerrar meu contrato por falta de alunos, supostamente, o que faz sentido em tempos de crise. Na prática não faz grande diferença na minha vida, mas eu contava tirar algum rendimento dali no ano que viria.

Foi um ano em que muitas coisas aconteceram, mais boas do que ruins na média – fiz a bendita prova de proficiência, conheci uns lugares pitorescos, juntei dinheiro, foi mais forte do que supunha. Sobrevivi. A parte negativa fica por conta da expectativa que não se concretizou, caso que eu resumo como uma grande frustração que já acabou.

Pra 2017, eu não quero resoluções, mas vou traçar algumas diretrizes, como fiz em 2016. Acho que a grande questão é descobrir qual o próximo passo a tomar. Talvez eu já saiba, mas preciso ainda pensar. Daí é tomar coragem e seguir. Porque no fim a vida é isso, life is movement, e a gente não pode parar.


7.7.16

expectativas

Ás vezes eu acho que parei de ter expectativas em relação à vida e eu ainda não sei se isso é bom ou ruim.

23.3.16

We can't stop the world

Acho que o bom da tal "maturidade" é a capacidade de a gente desenvolver uma melhor relação com a gente mesmo. E isso inclui saber se perdoar, reconhecer nossas falhas, elogiar nossos pontos fortes e entender que, mesmo que as coisas deem errado, isso não representa o tão preconizado fim do mundo.

Eu comentei com uma amiga próxima em Dublin, meses antes de voltar, que sofria por antecipação por ter que me despedir de tantas pessoas legais que havia conhecido naquela jornada. Falei aquilo e me vieram algumas lágrimas porque a sensação, de fato, era dolorosa - e ainda é, para ser sincera, já que sinto saudades incessantes de gente que ficou do outro lado do oceano. Mas ela disse algo que, se não fez diminuir a dor, ao menos me fez pensar. E aceitar. "You can't stop the world".

Ela tinha razão, a gente não pode parar o mundo. Então a única coisa que dá pra fazer é seguir em frente. A gente escolhe o caminho, fica indeciso às vezes, mas precisa caminhar. Precisa agir. Não raro doi a incerteza e a dúvida, a gente se cobra e diz que é hora de acertar. Não é um processo fácil, mas hoje - quase um ano depois de ter voltado - eu entendo ainda mais o que ela disse.

A gente não pode parar o mundo. Então o único caminho é seguir tentando, batendo cabeça, se descobrindo, sofrendo, pensando, sorrindo a cada coisinha que faz sentido. Vivendo.


16.3.16

recomeço, mais um

E hoje meu período sabático chegou ao fim. Durou dois anos e meio, o dobro do previsto, e foi permeado por alegrias, tristezas, surpresas, desesperos, amizades, viagens, escolhas e, principamente, muitas descobertas. Ainda não sei o que me espera exatemente, mas nunca tive tanta certeza de estar pronta pra essa nova fase que começa. Welcome new times!


14.3.16

o tempo gasto e não investido

"Se você acumular muitos deixa-pra-amanhã, descobrirá que só lhe restaram muitos ontens vazios”.
(Harold Hill)

Típica frase que me dá um arrepio na espinha, um medo terrivel de desperdiçar os dias e uma vontade louca de viver tudo de uma vez.

Exageros e tensões à parte, é bom lembrar dessa frase e tratar, desde já, de investir o tempo no que interessa.


28.2.16

inspiração que vem da história

Recentemente comprei dois livros da editora da Unesp, ambos por R$ 5 em um saldão no centro. O primeiro que li foi esse, de Olivier Besancenot e Michael Löwy, a respeito do mito em torno da figura de Che Guevara.



O livro é um pouco pesado (especialmente se a intenção for lê-lo no trem, como eu fiz) e até maçante, mas traz muita informação a respeito do Che, esse cara tão bacana que deixou o mundo pra entrar na imaginação de todo militante de esquerda. Confesso que sabia poucas coisas sobre ele, e o livro deu uma clareada importante em vários aspectos, especialmente políticos. Me deu vontade de ler mais coisas sobre os meandros da esquerda no século XX, o que por si só valeu a leitura.

Dois trechos me chamaram a atenção, bem no final do livro.

“‘Revolução socialista, ou caricatura de revolução’: não se constrói uma sociedade e uma humanidade novas com os mesmos costumes, os mesmos hábitos, as mesmas relações de poder, a mesma concepção de trabalho que no mundo antigo. É preciso perturbar profundamente as relações sociais em todos os aspectos, inclusive os da vida cotidiana, as relações pessoais, as relações entre gêneros.”

“Como toda figura humana, a de Che tem contrastes, limites, defeitos. Ninguém, ou quase, contesta certos traços marcantes de sua personalidade: uma justiça intransigente, um ódio igualitarista dos privilégios, uma coragem obstinada. Essas qualidades não existem sem dureza. Porque o combate até a morte contra um inimigo poderoso e sem escrúpulos não é um jantar de gala.”

Depois dessa só resta uma coisa: Hasta la victoria!